domingo, 27 de novembro de 2016

Reflexões sobre o Yin-Yang

Pensar no princípio da duplicidade contida no Yin-Yang é contemplar a vida em sua dualidade que caminha para a compreensão da unidade.

Os referidos conceitos de Yin e Yang estão atrelados ao taoísmo, expressando  a dualidade de tudo que existe no universo. Embora sejam forças opostas, elas são complementares, estando presente em tudo, sendo uma das chaves para a compreensão do mundo das formas, ou seja, do mundo material.

Entre as diversas possibilidades de interpretação do Yin-Yang, teremos como a maior de sua representatividade a dualidade, a lei dos contrastes que são inerentes a nossa própria existência, o bem e o mal que estarão presentes na caminhada do iniciado tanto em sua vida iniciática como na profana. Além disso, a presente alegoria, em sua totalidade, nos leva também de forma paradoxal, encontrar a ideia de um delicado equilíbrio onde estão sustentadas as energias positivas e as negativas, as mesmas que conduzem a uma coesão das forças que regem o Universo. 
Uma reflexão profunda sobre tais conceitos revelará o quanto possuímos uma compreensão limitada e reduzida do universo e da vida.
Evocamos, nesse ponto de nossa reflexão, o Caibalion, livro básico do hermetismo, onde encontraremos o principio da polaridade, que de certa forma está ligado ao simbolismo do piso mosaico. De acordo com o respectivo principio, "tudo é Duplo; tudo tem pólos; tudo tem o seu oposto;o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados." O Princípio de Polaridade contém a verdade que todas as coisas manifestadas têm dois lados, dois aspectos, dois pólos opostos, com muitos graus de diferença entre os dois extremos. Significa que uma determinada coisa pode ser boa e ruim ao mesmo tempo, simplificadamente. Os ensinamentos herméticos dizem que as coisas que se parecem diametralmente opostas trata-se apenas questão de graus.Assim, entendemos que o dualismo dos opostos nos governa em tudo, e experiência disso é prescrito para nós, até que, tendo aprendido a lição e superado, estamos prontos para o avanço a uma condição onde nós superamos o sentido dessa existência e os opostos deixam de ser vistos como opostos, mas são realizados como uma unidade ou síntese. Para encontrar aquela unidade ou síntese é conhecer a paz que passa, ou seja, a compreensão que ultrapassa a nossa experiência presente, porque nela as trevas e a luz são iguais, e os nossos atuais conceitos de bem e mal, alegria e dor, são transcendidas e encontrou sublimada em uma condição que combina os dois.

domingo, 7 de agosto de 2016

Os mistérios do pão e vinho


O consumo da essência divida é um aspecto muito importante na tradição dos mistérios, representando o mistério  das transformações. Popularmente, tal rito é conhecido como a famosa transubstanciação, que se origina da união de duas palavras latinas: trans (além) e substantia (substância), que tem por significação a transformação da substância em algo além do estado físico, entrando em aspectos metafísicos/astrais.

Segundo Ravi Grimassi (2000), em seu livro “ Mistérios Wiccanos”, na Tradição Misteriosa, o vinho e o pão representam o sangue e o corpo das deidades. Nas primeiras associações matrifocias da era do  caçador-coletor, o vinho simbolizava o sangue mestrual da Deusa e o pão representava o corpo do deus. Os aspectos esotéricos do pão e do vinho empregam os mistérios da Fermentação, e em sua essência estão associados à semente como símbolo masculino, que se torna uma semente portadora.

Tais elementos representam também a representação dos estados da matéria física para a subsistência humana.Obviamente, que o pão e o vinho são elementos físicos, denominados alimentos, mas que na simbologia litúrgica nos faz lembrar que assim como o corpo físico necessitada de alimentação, no corpo espiritual ou nossa vida espiritual também necessita de ser nutrida para se fortificar e evoluir.

 Por outro lado, podemos inferir que o pão nos demonstra o simbolismo do grão de trigo, que morre para renascer, depois ter passado pela prova da terra. O pão está relacionado com o conhecimento dos pequenos mistérios. Já o vinho, representa o conhecimento dos grandes mistérios, pois revive o mito da transformação pela perspectiva da vida, onde a uva passa pela fermentação. Em outra possível analogia, encontraremos o pão simbolizando o físico, e o vinho sendo o símbolo da alma. Assim, ao se consumir tais alimentos, estamos ingerindo a essência divina e seus mistérios, fomentando o equilíbrio físico e espiritual.

domingo, 31 de julho de 2016

O CHAKRA CARDÍACO- ANAHATA




Inicialmente, no estudo dos chakras, faz-se necessário buscarmos o que é  um chakra. De forma básica, podemos apontar que os chakras são pontos de interseção de forças sutis entre os  vários planos dimensionais, sendo centros de energias que fazem a ligação entre o astral e o físico, em nossos corpos.

Em nossa análise, iremos focar no denominado chakra cardíaco ou Anahata, buscando aumentar nosso entendimento sobre tal área de força.

O referido centro vital, em nosso corpo físico, embora saibamos que os chakras estão situados no astral, tem sua correspondência de localização no centro do tórax entre os mamilos, tendo como cor associada o verde, sendo regido pelo elemento ar.

Segundo Julio Lótus, o nome Anahata, atribuído ao chakra cardíaco, vem do sânscrito e significa "Invicto", "Inviolado".  Ainda de acordo com o autor, tal centro de força  tem a incumbência da energização do sistema cárdio-respiratório, sendo o canal responsável pela movimentação dos sentimentos. É o meio de ligação energética entre os sentimentos inferiores e os superiores.

Assim, podemos inferir que Anahata é o centro do equilíbrio, da justiça e da expressão do verdadeiro amor. Nesse ponto, cabe-nos destacar que em muitas culturas o coração se cristalizou como o símbolo das emoções e do amor, tendo sua explicação diretamente atrelada a função do seu chakra correspondente. 

Temos dentro dos canais de força, sete chakras principais, sendo o cardíaco o número quatro, estando no meio, sendo assim a representação do equilíbrio, sendo o encontro das forças duais, assim como dos princípios masculino e feminino.

Por outro lado, percebe-se que tal chakra é o regulador das emoções e da fluência das energias vitais, estando assim necessitado de estar sempre em equilíbrio. Já em relação ao corpo físico, detecta-se que ele possui forte influência em nosso corpo, considerando sua ligação com o coração e o timo, sendo portanto o distribuidor e regulador do equilíbrio saudável, da manutenção da saúde.

terça-feira, 7 de junho de 2016

ANOTAÇÕES SOBRE A TRONQUEIRA DO SR. EXU


Dentro da casinha de Ao se adentrar um templo de Umbanda, certamente, muitos se depararão com as firmezas existentes na porta, as famosas “casinhas” ou “tronqueiras” de Exu.

Tais firmezas tem como finalidade o assentamento das forças de nossos guardiões, sendo um recurso utilizado para a proteção do local. Na verdade, ela é como um portal, o qual foi ativado, que impede as forças negativas e hostis de atrapalhar ou atacar o templo.

Nesse instante, cabe-nos destacar que os guardiões qualquer que seja o designação cultural utilizada, já eram apreciados na antiga Mesopotâmia muita antes dos celtas ou italianos virem tomar ciência de sua existência. Na verdade,
os guardiões constituem um conceito comum à maioria das tradições mágicas, ainda que possam existir divergentes e diferentes concepções sobre a mesma entidade.

 Dentro da bruxaria, por exemplo, temos os guardiões das torres, os quais zelam por um ponto cardeal e servem de proteção contra as energias nefastas. Assim, em analogia, resguardadas as devidas interpretações culturais e esotéricas, podemos dizer de forma geral que possuem a mesma função de Exu.

Podemos aqui fazer algumas analogias, sem a pretensão de serem verdades absolutas, mas que podem nos abrir perspectivas de entendimento do referido assunto. Inicialmente, podemos entender um templo de Umbanda como um corpo humano, onde temos a cabeça do axé, a qual está próxima do conga, depois temos os braços -(sendo um representativo da energia masculina e o outro da feminina- e por outro lado, os pés do Axé, ao nosso ver, representado pela tronqueira. Nessa perspectiva, vemos uma possível ligação, uma vez que o pé é o que dá sustentação ao corpo, assim é o fundamento de Exu que objetiva dar sustentação ao templo. Também é possível fazer essa analogia pela perspectiva do pentagrama, lembrando que o mesmo representa a movimentação energética.

Exu, temos a representação dos 4 elementos, os quais são itens necessários para a ativação do portal de forças do Sr. Exu. Cabe ainda destacar  que com isso, ativamos as forças sutis, as quais se utilizam os guardiões no seu trabalho. Tais elementos propiciam, em seu aspecto mais interno, manutenção do equilíbrio mágico-vibratório, mantendo inclusive a própria vida física, pois movimenta as forças vitais.

Por meio dos itens utilizados na edificação do portal, podemos inferir que por meio da movimentação da magia astroetérica,  englobando as forças sutis da natureza, sob o comando e vibração dos Orixás, emergem o equilíbrio necessário realizado por Exu para o ritual.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

REFLEXÕES INICIAIS SOBRE O RITUAL RELIGIOSO


Dentro das diversas religiões, sempre vamos nos deparar com o denominado Ritual. Entretanto, você já parou para pensar sobre o que seja um ritual? Quais os elementos que o compõem? Qual sua finalidade na prática religiosa? Partindo dessas indagações, hoje, resolvi realizar algumas reflexões e buscar informações sobre aquilo que chamamos de ritual.

Segundo a Wikipédia, encontraremos como definição para ritual:

“Um ritual é um conjunto de gestos, palavras e formalidades, geralmente imbuídos de um valor simbólico, cuja performance é, usualmente, prescrita e codificada por uma religião ou pelas tradições da comunidade”

De acordo com Joachim Andrade, em seu artigo intitulado “Importância dos rituais nas tradições religiosas”, podemos compreender, dentro de uma concepção ampla e genérica, que o ritual é como um sistema cultural e religioso de comunicação simbólica, construído e organizado em consonância com determinadas sequências ordenadas e padronizadas de silêncio, palavras e atos comumente expressos por múltiplos meios que possuem conteúdos variados. Neste ponto, devemos acrescentar que o ritual possui como base pontos de referências que dão sentido a sua existência e execução, sendo compartilhado com outros seres que possuem anseios comuns, ou podendo ser realizado individualmente.

Importante, neste ponto esclarecer, que entre os vocábulos ritual e rito, temos um pequena diferença conceitual, sendo o rito definido como as normas, regras e ações, e o ritual a execução desse conjunto exposto pelo rito. Podemos dizer ainda que o rito são os princípios básicos para execução do ritual.

Ao nosso ver, os rituais são como uma linguagem simbólica que se constituem numa forma particular de expressão, comunicação e comunhão com o divino, dentro da perspectiva religiosa.

Do ponto de vista religioso, através da execução e vivência do ritual que o ser humano se conecta com energias superiores para determinados objetivos, assim como trazem o mundo divino, em certo nível, para o mundo físico.

Para Mirian Rabelo, em seu artigo “Religião, Ritual e Cura”, publicado pela FIOCRUZ, ao se voltar para um estudo do ritual, vários antropólogos têm enfatizado seu papel transformativo: manipulando símbolos em um contexto extracotidiano, carregado de emoção, o ritual induz seus participantes a perceberem de forma nova o universo circundante e sua posição particular nele. Assim, por meio do ritual, o religioso consegue colocar a sua mente consciente em um trabalho coordenado com o seu subconsciente, ou seja, consciência e subconsciência trabalham conjuntamente. Sendo assim, se cria uma egrégora, uma ambiente sagrado, levando-nos a uma conexão com o macrocosmo mais profunda e consciente. Assume assim, o desígnio de uma necessidade humana, onde a condução ritualística possibilita uma vivência que transcende o nosso racionalismo, levando-nos a plenitude do ser humano e nos colocando em relação com as forças astrais e integrando-nos ao macrocosmo.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

OS PONTOS CANTADOS NA UMBANDA


Pensar e refletir sobre as letras dos pontos cantados na Umbanda, certamente, é um interessante e rico exercício mental, que muito pode revelar aos estudantes e adeptos dos mistérios dessa senhora da luz velada.

Desde a Antiguidade, nas diferentes religiões, sempre existiu a louvação em forma de cântico como maneira de ligação com a energia divina. Do ponto de vista da sociologia,  Durkeim (1996), em seu livro “ As formas elementares da vida religiosa”, ao tratar da relação entre música, religião e sociedade, expõe uma possível gênese da música e do canto como forma de se exteriorizar o excesso de energia gerado pelos rituais, onde os praticantes através de elementos sonoros atingiam um estado de harmonia, o qual se integrava na coletividade. Assim sendo, observa-se que as manifestações relgiosas de diversas naturezas utilizaram e ainda utilizam da música para expressar suas crenças, assim como para cumprir funções em rituais religiosos. Portanto, a relação entre música e religião é uma verdade presente em diversos contextos culturais e sociais.

Ao analisarmos as letras, uma primeira questão nos vem a mente: os pontos de Umbanda foram inventados ou são revelados pelo astral superior?  Nesse sentido, buscamos nossa resposta no livro “Mistérios e práticas na lei de Umbanda, de Mestre Yapacani, onde encontramos que os verdadeiros pontos cantados são dados pelas entidades, ou seja, são revelados pelo astral superior.

Outro fator que chama a atenção é a denominação do vocábulo ponto para fazer referências aos cânticos, segundo informações retiradas da internet, ponto é um termo genérico que faz alusão à costureira em tecido, pois cada ponto dado por ela (costura), ela vai, em sequência, “amarrando” um tecido no outro, da mesma forma que no ritual de Umbanda, pois os cantos são em sequência, obedecendo uma finalidade.

A utilização do canto e do som do tambor, para aquelas vertentes que utilizam, são ferramentas rituais de correspondência, sendo elementos de comunicação entre o mundo físico e o espiritual, pois cada canto e ritmo se relacionando com uma determinada vibração, possibilita com mais facilidade a ligação com as energias afins e/ou superiores.

Nesse ponto, cabe-nos revisitar os princípios herméticos para compreender um pouco mais do funcionamento dos cânticos nos rituais. Primeiramente, precisamos lembrar que os sons são frequências vibratórias, ou seja, vibrações,  e assim podemos fazer uma pequena analogia com o principio da vibração e também com o do mentalismo. O Todo é mental, cujo sofre influências do princípio do padrão vibratório. Assim, as manifestações vibratórias produzidas pelos cânticos resultam em vibrações no TODO, possibilitando que haja correspondência e harmonização. A música nos conecta com a essência divina, sendo ela um possante elemento alquímico e, dentro do campo das Artes é a que vai mais fundo na alma, possibilitando uma conexão com outras energias, de forma mais profunda.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

GEOMETRIA SAGRADA: UM BREVE ESBOÇO DE SUA COMPOSIÇÃO


Segundo Robert Lawlor, em seu livro intitulado “ Geometria Sagrada”, atualmente, estamos vivenciando, no campo das ciências, uma tendência universal para a abdicação da pressuposição de que a natureza fundamental da matéria pode ser estudada a partir do ponto de vista da substância (partículas, quantum), em favor do conceito segundo o qual a natureza fundamental do mundo material só pode ser conhecida através do estudo da organização subjacente de suas formas ou ondas. Ainda de acordo com o autor, tanto  os nossos órgãos de percepção, como o mundo dos fenômenos que percebemos parecem compreender-se melhor como sistemas de esquemas puros, ou como estruturas geométricas de forma e proporção. Daí que, quando muitas das culturas antigas optaram por examinar a realidade através das metáforas da geometria e da música.

Em nossa realidade, podemos inferir que a geometria é um principio orientador, estando presente em toda a natureza. Assim, partindo desse pressuposto, podemos compreender o pensamento de alguns cientistas e filósofos, que o mundo tem uma representação material de formas. Já numa concepção mística, a geometria mostra a soberania do divino, revelando a harmonia, manifesta em padrão físico metafísico que se torna o causador do padrão físico.

Protágoras afirmava que  "O homem é a medida de todas as coisas, dos seres vivos que existem e das não-entidades que não existem.“

Para Nigel Pennick:

“Os princípios norteadores da geometria sagrada transcendem as considerações religiosas sectárias. Como uma tecnologia que tem o objetivo de reintegrar a humanidade no todo cósmico, ela funcionará, como a eletricidade, para todas as pessoas que observarem os critérios, não importa quais sejam os seus princípios ou propósitos. A aplicação universal dos princípios idênticos da geometria sagrada em lugares separados no tempo, no espaço e por crenças às diferentes atesta a sua natureza transcendental. Assim, a geometria sagrada foi aplicada nos templos pagãos do Sol, nos relicários de Ísis, nos tabernáculos de Jeová, nos santuários de Marduk, nos santuários erigidos em honra dos santos cristãos, nas mesquitas islâmicas e nos mausoléus reais e sagrados.Em todos os casos, uma cadeia de princípios imutáveis conecta essas estruturas sagradas.A geometria é geralmente incluída na disciplina da matemática;todavia, a matemática numérica, na verdade, derivou da geometria, que possui uma ordem muito mais fundamental do que a mera manipulação de números, que é criação do homem”



Desde tempos remotos, se reconhece na natureza das formas um meio para traduzir a harmonia e a unidade, assim torna-se a geometria sagrada o estudo das ligações entre as proporções e formas contidas no microcosmo e no macrocosmo com o propósito de compreender a Unidade que permeia toda a vida, levando-nos a compreensão da convergência que permite nos concluir que a Verdade-Real origina-se de uma única fonte, onde todos estamos conectados.