sexta-feira, 22 de abril de 2016

GEOMETRIA SAGRADA: UM BREVE ESBOÇO DE SUA COMPOSIÇÃO


Segundo Robert Lawlor, em seu livro intitulado “ Geometria Sagrada”, atualmente, estamos vivenciando, no campo das ciências, uma tendência universal para a abdicação da pressuposição de que a natureza fundamental da matéria pode ser estudada a partir do ponto de vista da substância (partículas, quantum), em favor do conceito segundo o qual a natureza fundamental do mundo material só pode ser conhecida através do estudo da organização subjacente de suas formas ou ondas. Ainda de acordo com o autor, tanto  os nossos órgãos de percepção, como o mundo dos fenômenos que percebemos parecem compreender-se melhor como sistemas de esquemas puros, ou como estruturas geométricas de forma e proporção. Daí que, quando muitas das culturas antigas optaram por examinar a realidade através das metáforas da geometria e da música.

Em nossa realidade, podemos inferir que a geometria é um principio orientador, estando presente em toda a natureza. Assim, partindo desse pressuposto, podemos compreender o pensamento de alguns cientistas e filósofos, que o mundo tem uma representação material de formas. Já numa concepção mística, a geometria mostra a soberania do divino, revelando a harmonia, manifesta em padrão físico metafísico que se torna o causador do padrão físico.

Protágoras afirmava que  "O homem é a medida de todas as coisas, dos seres vivos que existem e das não-entidades que não existem.“

Para Nigel Pennick:

“Os princípios norteadores da geometria sagrada transcendem as considerações religiosas sectárias. Como uma tecnologia que tem o objetivo de reintegrar a humanidade no todo cósmico, ela funcionará, como a eletricidade, para todas as pessoas que observarem os critérios, não importa quais sejam os seus princípios ou propósitos. A aplicação universal dos princípios idênticos da geometria sagrada em lugares separados no tempo, no espaço e por crenças às diferentes atesta a sua natureza transcendental. Assim, a geometria sagrada foi aplicada nos templos pagãos do Sol, nos relicários de Ísis, nos tabernáculos de Jeová, nos santuários de Marduk, nos santuários erigidos em honra dos santos cristãos, nas mesquitas islâmicas e nos mausoléus reais e sagrados.Em todos os casos, uma cadeia de princípios imutáveis conecta essas estruturas sagradas.A geometria é geralmente incluída na disciplina da matemática;todavia, a matemática numérica, na verdade, derivou da geometria, que possui uma ordem muito mais fundamental do que a mera manipulação de números, que é criação do homem”



Desde tempos remotos, se reconhece na natureza das formas um meio para traduzir a harmonia e a unidade, assim torna-se a geometria sagrada o estudo das ligações entre as proporções e formas contidas no microcosmo e no macrocosmo com o propósito de compreender a Unidade que permeia toda a vida, levando-nos a compreensão da convergência que permite nos concluir que a Verdade-Real origina-se de uma única fonte, onde todos estamos conectados.

sábado, 16 de abril de 2016

Magia: uma ciência sagrada

Ao longo da história da humanidade, detectam-se diversos registros indicativos de práticas mágicas, as quais compõem a chamada ciência sagrada dos magos. Mas afinal o que é magia? Para responder tal indagação, vamos até os escritos de Eliphas Levi, o qual nos diz que: Magia é a aplicação da vontade às forças hiperfísicas (ou metafísicas) da natureza. Além dessa definição mais técnica, cotidianamente, somos bombardeados com outras definições e entendimentos, e, certamente, uma das mais conhecidas definições seja a de Aleister Crowley, postulando que Magia é a Ciência e a Arte de provocar mudanças em conformidade com a vontade.
No entanto, ao nosso ver, a colocação de Crowley descreve muito bem o efeito, o objetivo de tal prática, porém para que possamos aprofundar nosso entendimento em torno de tal ciência sagrada, necessitamos de compreender os os fundamentos implicados no processo, compreender essa sagrada ciência.
Na verdade, a magia é uma ciência sagrada, onde forças mágicas e vivas atuam em consonância com as forças físicas.
Neste ponto, cabe-nos separar o joio do trigo, pois quando falamos em magia, devemos ter o cuidado de não englobá-la junto com aquilo que chamamos de feitiçaria. Na verdade, quando praticamos uma feitiçaria apenas operamos os elementos, porém não compreendemos como se encaixam tais elementos na realização do propósito Mágico. Assim, já podemos compreender que a magia se constitui em algo mais complexo, onde a sagrada ciência busca explicitar a forma e o fundamento das operações mágicas, conjugadas com as qualidades herméticas. Logo, trata-se de uma ação consciente e de muita responsabilidade.
Outro ponto importante para a nossa reflexão, é entender que ela não se divide em branca ou negra, afinal ela não tem cor. Magia é uma só, o que difere são as intenções de seu operador, que pode ser boas ou más, e aí talvez se ligue ao conceito popular de que branco é coisa boa e preta é coisa mal, mas que fique claro que a sagrada ciência é uma só, tal divisão existe na consciência do ser humano.
Se há alguma divisão na magia essa está ligada ao seu sistema, que pode ser dogmático ou pragmático, de onde teremos as diversas variantes da velha ciência e arte.

domingo, 13 de março de 2016

O HOMEM E O MICROCOSMO


Em nossa vida cotidiana, ficamos imersos numa visão materialista da vida, buscando sempre o que é racional, chegando num entendimento comum e multilado do ser humano, consciente apenas da realidade fragmentada e danificada que nos circunda, esquecendo-se da nossa essência espiritual. Como colocado no Caibalion, “ Sob as aparências de Universo, Tempo, de Espaço e de Mobilidade está sempre encoberta a Realidade Substancial- a Verdade Fundamental”.

O macrocosmo é o Universo do ponto de vista coletivo e objetivo, Já o microcosmo é o universo individual. Assim, no ser humano, temos o universal e o particular, sendo que o particular deriva do universal, ou seja, o microcosmo é um produto originário do macrocosmo. Dentro dessa perspectiva, passamos a entender que o homem é um ser multidimensional, onde o seu microcosmo se relaciona com o macrocosmo, ou seja, o microcosmo é onde o macrocosmo se manifesta, e vice-versa, lembrando aqui do princípio da polaridade que atribui o equilíbrio e a força para a existência.       O alicerce para a experiência da vida é a dualidade. Tudo que existe é dual e necessita do seu oposto para se complementar, se manifestar e manter-se.

Muitos símbolos, ao longo da história, nos dão conta dessa verdade, porém alguns foram deturpados em suas possíveis interpretações. Entretanto, para nós, nessa singela reflexão, apontamos como figuras representativas da relação homem e universo: o Baphomet, o pentagrama, o grande símbolo de Salomão, a ROSACRUZ, entre outros.

Cabe-nos destacar que pensar o ser humano na sua relação com o macrocosmo, vai para além do pensamento analítico da influência dos astros sobre o corpo humano. Na verdade, tal concepção entende o ser como parte da natureza, um organismo único. Logo, há uma relação substancial entre o micro e o macro que se oculta na objetividade e racionalidade, e que no entanto mostra-se essencial para a evolução. Assim, infere-se que para entender o todo, devemos antes entender a parte, o individuo.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Iniciação à magia das oferendas na Umbanda


A oferenda dentro da linha de Umbanda para além do sentido religioso, ela liga-se ao conceito de magia, de movimentação das energias.

Mestre Yapacani, coloca em seu livro “Mistérios e práticas na Lei de Umbanda”, a seguinte explicação:



A oferenda na Corrente Astral de Umbanda difere bastante, quer no sentido da oblata da igreja, quer no sentido das oferendas ou das “comidas de santo” dos

“candomblés” ou Cultos Africanos. Por quê?...

Porque na Umbanda a oferenda existe, porém dentro do seguinte conceito: Deus – o Pai-Eterno, Jesus – o Cristo Planetário, as Potências Espirituais Superiores, isto é, os Orixás, os Arcanjos, ou mesmo os Anjos, etc., só se comprazem com a “oferenda” ou com a oferta mental – do sentimento, do coração, do pensamento, assim como o que se possa interpretar como prece, oração, evocação etc...

Agora, abaixo de Deus, de Jesus, dessas Potências Celestiais, existem os ESPÍRITOS em seus diferentes graus de evolução de entendimento, etc. Aos espíritos, dentro de certos graus de entendimento, isto é, aos espíritos que ainda sentem necessidade delas – das oferendas – e ainda aos que se comprazem com certos tipos de ofertas, a eles assim são encaminhadas, tudo de acordo com a movimentação de certas forças mágicas, dentro da citada Corrente Astral de Umbanda. E ainda temos que considerar mais esse terceiro aspecto: a maioria de nossas entidades, “Guias ou Protetores”, podem solicitar uma oferenda sem ter necessidade direta dela e nem mesmo para se comprazer dela. Podem e usam a oferenda, para certos movimentos de força mágica relacionados com os “elementares” – ditos como “espíritos da natureza”...

Portanto, a oferenda na Umbanda existe, mas para espíritos (nome pelo qual designam os seres desencarnados...) e nunca para Deus, nem para Jesus, nem para os Orixás. Existem ou são feitas para os espíritos que estão dentro da faixa dos Orixás... compreendido?







De acordo com o exposto por Yapacani, vemos que as oferendas estão ligadas aos espíritos que de certa forma necessitam desses sabores mundanos. Nesse sentido, podemos acrescentar que a oferta de alimentos está, muitas vezes,  atrelada a um com conceito social, pois o ato de se alimentar atinge esferas culturais, religiosas etc.

No contexto das oferendas dentro da Umbanda, com algumas exceções, vemos sempre a oferta de coisas provindas da Terra, aí encontramos a primeira ligação mágica. Ofertamos aquilo que provém da Natureza, assim ativamos o ciclo de recarregamento do Axé, podendo ocorrer a troca de energia. Nesse sentido, utilizando-se do ciclo, fazemos com que as oferendas seja, elementos ativadores das ondas energéticas.

Aqui, podemos ir um pouco mais para dentro da questão das oferendas, e inferir que muitos preceitos realizados necessariamente utilizam elementos naturais, pois os mesmos carregam o Axé naturalmente, e com seu emprego em certos preceitos conseguimos ativar determinadas energias.

Nesse entrecho, lembramos um princípio hermético que  tudo vibra e nada está parado, assim tais elementos naturais, que inicialmente aos profanos podem parecer sem vida, na realidade são organismos vivos e que recebem energias e as emanam também. Logo, os materiais utilizados no preceitos, de ordem de oferenda, recebem influências diversas que carregam seu Axé, entre essas fontes de energia temos também os planetas que exercem influência sobre tais aspectos, contribuindo com suas especificidades para a aplicação mágica ou para a manipulação das energias.

Por fim, outro aspectos que deve ser considerado dentro das oferendas é o objetivo das mesmas e a quem se destina, pois esses dois elementos, dentro de uma ampla correspondência energética, determinarão quais os materiais a serem utilizados e também a forma ritualística.




sábado, 13 de fevereiro de 2016

Arcano 17: A estrela


Se encararmos o Tarot como o livro da vida, assim como também numa relação com à arvore da vida da Kabala, poderemos inferir que o presente arcano representa o momento da observação, do descanso e renovação das esperanças, portanto é um arcano com fortes ligações com a esperança e a renovação.

O arcano 17 é representado pela estrela, tendo em sua alegoria uma figura feminina desnuda despejando o conteúdo de 2 jarros na margem de um rio e acima dela encontramos a estrela flamejante.

Inicialmente, podemos iniciar nossa reflexão pela figura feminina nua, que de certa forma representa a esperança, algo que está para além da concretude, sendo aqui colocado de modo abstrato, aliás quando estamos despojados das coisas materiais, estamos em nosso estado de pureza, despojado de valores mundanos e objetos corruptores de nossas consciência, assim a nudez representada simboliza a expressão essencial do ser.

Ainda dentro da descrição da lâmina, vemos uma mulher com 2  jarros despejando um liquido na água e outro na terra. Nesse ponto, vemos a fluidez das coisas, lembrando-nos que nada está parado. Por outro lado, vemos a questão da fecundidade, evocando aqui os conceitos de Yang e Yin, pois considerando que terra e água são elementos ligados a Yin,  tendo muitas vezes sua ação de dentro para fora.

Alguns estudiosos apontam que os jarros seriam um de ouro e o outro de prata. Nesse sentido, teriamos  a combinação alquímica perfeita.

Segundo Samael Aun Weor, em seu livro “ O caminho iniciático nos arcanos do tarôt e cabala”, temos se seguinte colocação:



O hieróglifo do arcano nº. 17 é a Estrela Radiante e a Juventude Eterna. Neste arcano aparece uma mulher desnuda que esparge sobre a terra a seiva de vida universal que sai dos dois jarrões, um de ouro e outro de prata.  Se estudarmos cuidadosamente o conteúdo esotérico deste arcano descobrimos a alquimia perfeita. Precisamos de trabalhar com o ouro e com a prata, com o Sol e com a Lua para encarnar a Estrela-de-Oito-Pontas, o Luzeiro da Manhã. Realmente a Estrela-de-Oito-Pontas é Vénus. Aquele que alcança a Iniciação Venusta tem a dita de encarnar o Dragão de Sabedoria (o Cristo Interno). É preciso trabalhar com o fogo e com a água para se receber a Iniciação Venusta. A Estrela crucificada na cruz é o Cristo dos Abraxas, o Filho do Homem, o Verbo encarnado. No Apocalipse de São João encontramos, relacionado com Vénus, o Luzeiro da Manhã: «…e àquele que vencer dar-lhe-ei a Estrela da Manhã» (apocalipse 2: 26-28). «…Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos dar testemunho destas coisas nas Igrejas. Eu sou a raiz e a geração de David e a resplandecente Estrela da Manhã»

SAMAEL AUN WEO





Na parte superior da carta, temos a estrela de 8 pontas, a Estrela-de-Oito-Pontas deste Arcano representa Vênus, a Estrela da Manhã. Neste arcano encontramos representado o trabalho com o Ouro e com a Prata; com o Sol e com a Lua. A estrela de oito pontas também pode ser interpretada como o símbolo de plenitude e regeneração, está ligado aos diversos sistemas de oito pontas que podem ser encontrados no roda pagã anual, nos  trigramas do I Ching, entre outras escolas ou filosofias.Assim, nessa perspectiva, retomamos a ideia inicial evocada no presente texto da mulher desnuda e da questão do despojamento das coisas mundanas, para buscar um ela de ligação com  a estrela de oito pontas, pois ela terá uma íntima ligação com a ideia do equilíbrio, da combinação das coisas para atingir a evolução. Portanto, no arcano 17, estamos num momento meditativo para optar por melhores caminhos.

Na visão da kabala, o presente arcano se situaria no 27º caminho da arvore da vida, ligando o centro do poder criador em Nezah ao centro do pensamento concreto em Hod. Assim, chegaríamos a conclusão que o referido arcano, em sua alegoria, esclarece a necessidade da transmutação e combinações para que se possa evoluir.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

REFLEXÕES SOBRE O NÚMERO 7








“Sete dias da semana, sete notas musicais,
Sete cores do arco-íris nas regiões divinais,
E se pintar tanto sete, eu já não aguento mais.” ( Raul Seixas)





O número 7 está presente em tantos momentos de nossa vida, cerca-nos em tantas questões, que hoje resolvi realizar uma especulação simbólica, filosófica, esotérica, entre outros aspectos para compreender um pouco melhor.



Na realidade, refletir e meditar sobre o número 7, é o mesmo que estudarmos o mundo onde vivemos, uma vez que ele implica para sua compreensão o entendimento do microcosmo e do macrocosmo.



Mas como este não é um ensaio sobre Numerologia, vamos, apenas, apresentar o que mais nos interessa, e realizar alguma divagações abertas as críticas e novas perspectivas.



Curiosamente, em observação, percebemos que temos:

7 Dias da Semana: Segunda,  Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Domingo.
7 Anjos Superiores dos Planetas: Gabriel, Rafael, Hanel, Michael, Samael, Zadkiel, Zafkiel.
7 Espíritos dos Planetas: Phul, Ophiel, Haegt, Och, Phaleg, Relor, Aratrom.
7 Espíritos /interiores dos Planetas: Gabriel, Rafael, Anae!, Michael, Samael, Tachel, Cassiel.
7 Virtudes: Esperança, Temperança, Amor, Fé, Fortaleza, Justiça, Prudência.
7 Metais: Prata, Mercúrio, Cobre, Ouro, Ferro, Estanho, Chumbo.
7 Vícios: Avareza, Inveja, Luxúria, Vaidade, Violência, Gula, Egoísmo.
7 Cores: Verde, Amarela, Violeta, Laranja, Vermelha, Azul, indigo (anil).
7 Notas Musicais: Fá, Mi, Lá, Ré, Do, Sol, Si.



Assim poderemos continuar enumerando muitos outros setenários, porém bastam estes. Agora, voltando nosso olhar, especificamente, para dentro da Umbanda, veremos que o número sete é utilizado em diversos pontos, em oferendas e também está presente no nome de várias entidades que militam nessa corrente.



Basicamente, encontramos que o sete é uma combinação do três com o quatro. Eliphas Levi, expressa em seu livro “ Dogma e Ritual de Alta Magia, que o setenário é um número sagrado, pois está composto da tríade e o tetra. O número sete representa poder mágico em toda sua abundância; é a mente reforçada por todas as potências elementares; é a alma servida por natureza; é o SANCTA REGNA pela leitura dentro das Chaves de Salomão



Na Grécia antiga, entre os pitagóricos, o 3 era considerado o número perfeito por ter princípio, meio e fim. Por essa razão, o 3 era considerado o símbolo do divino. Para quem não sabe, o sete é uma combinação do três com o quatro. Aqui, o Três, representado por um triângulo, é o Espírito e o quatro, representado por um quadrado, é a Matéria.


          Sobre o número três diversos exemplos na Literatura especializada. Vejamos o significado do número quatro, ou seja, o quartenário.
O quatro sempre foi estimado como o número do mundo físico. O quatro está relacionado aos quatro pontos cardeais. Ainda podemos buscar outras exemplificações, tais como: 4 elementos, 4 estações do ano, 4 fases da Lua, etc.



Ainda dentro do prisma de que o número 7 é constituído de 4+3, podemos encontrar algumas reflexões importantes no estudo do sétimo arcano, conhecido como o Triunfo. Dentro da escola gnóstica, apoiando aqui nossas reflexões em Samael Aun Weor, mais especificamente em sua obra “O caminho iniciático nos arcanos do tarôt e da cabala”, encontraremos a descrição da lâmina contendo:



 “nas águas da vida, duas esfinges, a Branca e a Negra, que puxam o seu carro, simbolizando as forças masculinas e femininas.  Um guerreiro que representa o Íntimo está de pé no seu carro de guerra, na pedra cúbica (o sexo) e entre os 4 pilares que constituem a Ciência, a Arte, a Filosofia e a Religião, nas quais se desenvolve. Os 4 pilares também representam os 4 elementos, indicando que aquele os domina. Na sua mão direita está a espada flamejante e na sua mão esquerda, o báculo do poder. A couraça é a ciência divina que nos torna poderosos. O guerreiro deve aprender a utilizar o Báculo e a Espada, desse modo conseguirá a grande vitória. Na sua cabeça, um gorro de 3 pontas, representa as 3 forças primárias. Na parte superior aparece RA, o Cristo Cósmico (as asas). ” ( Samael Aun Weor).



Nesta perspectiva, o número 7 representa a vida na terra, constituindo-se na primeira manifestação do homem para o entendimento do mundo divino. Nesse momento, cabe-nos destacar que a segmentação numérica, onde teremos como seu numeral posterior o número 8, que de forma geral está ligado às coisas infinitas e divinas. Assim, o número 7 é a fronteira da passagem do conhecido para o desconhecido. Assim, avançando nas nossas reflexões, vemos no número em questão a ligação do espiritual com o material.



É possível detectar essa analogia também dentro do cristianismo, na oração do Pai Nosso, podendo encontrar nela 7 postulados principais, sendo eles:



1) Santificado seja o vosso nome;



2) Venha a nós o vosso reino;



3) Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu;



4) O pão nosso de cada dia nos daí hoje;



5) Perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido;



6) Não nos deixeis cair em tentação;



7) Livrai-nos do mal.



Para além dos 7 postulados, podemos também inferir que o sete representado na oração advém da ideia de 4+3, pois temos três postulados dirigidos a Deus e quatro para o homem, representando o mundo material.





Nesse ponto, cabe-nos apontar a Escada de Jacob (Jacó), referenciada na bíblia em Gênesis 28,11-19, que emerge no presente contexto quando Jacob teve essa visão durante o sono, de uma escada, cujos pés repousavam sobre a terra, e cujo topo chegava aos céus. Anjos continuamente subiam e desciam através dela. O número de degraus mais aceito para a interpretação dessa passagem bíblica é de um total de 7. Dentro dos conceitos Rosacruz, numa perspectiva simbólica ampla, cada degrau da escada  estaria  ligado as montanhas dos setes episódios relacionado com o povo judeu,  sendo o sétimo a representação  de Jesus no Monte da Oliveiras. Assim, seria esse o momento de entrega total a espiritualidade.Aqui também destacamos que para a Maçonaria, a escada de Jacó simboliza a ligação do plano físico com o espiritual, corroborando com o pensamento expresso no parágrafo anterior, onde fora apontado que o 7 é  a fronteira da passagem do conhecido para o desconhecido. Ainda, conforme aponta João Anatalino, podemos acrescentar que no Hinduísmo já se creditava a existência da Escada de Brahma, na qual os iniciados nos mistérios daquela religião deviam subir. Ainda de acordo com João Anatalino, “os hindus acreditavam que o mundo era composto por sete estratos, cada um atingível por um escada, ou nível de sabedoria iniciática. O primeiro estrato era a terra, e a consciência humana, o mais ínfimo deles. O segundo era o mundo dos espíritos, ou da reencarnação. O terceiro era o céu. O quarto era um estado intermediário onde as almas ficavam, assim que desencarnassem. O quinto era o mundo da regeneração, onde as almas eram preparadas para reencarnar novamente. O sexto era o Palácio do Grande Rei, onde habitava Brahma, o Grande Princípio Criador dos céus e da terra. O sétimo era o mundo de Brahma, onde habitava Brahman, a Essência, o Incriado, a Verdade em Si Mesma, o En Shoph dos cabalistas, o próprio Deus em sua essência, o Pai da Luz”.



Na Umbanda, o número 7 está associado ao orixá Ogum, que tem como astro regente Marte e signo zodiacal áries e escorpião. Dentro da simbologia de algumas escolas ocultistas, encontraremos o planeta marte associado ao elemento fogo, onde por meio de analogias, e estudos mitológicos – os quais não aprofundaremos no presente ensaio- chegaremos a representação de Ogum. Interessante observarmos que Marte, na mitologia Grega, era o Deus da Guerra. Ainda cabe-nos salientar que o Ogum é o primeiro orixá a descer do Orun para o Aiye, mostrando aí também uma possível ligação dele com o número 7 e a ideia da ligação espiritual e material avocada por tal número. Por outra perspectiva, considerando a concepção de 4+3, encontraremos também o referido orixá na sua figura de guerreiro e dominador.

Ainda dentro da Umbanda, embora sejamos conhecedores das transformações sofridas pelo vocábulo que nomeia a religião, é importante notarmos que o mesmo tem sete letras, e que sua tradução é o conjunto das lei de Deus, que em suma mostra a ligação com a ideia inicial exposta no texto do 7 como resultado de 4+3, pois as leis de Deus regem o princípio espiritual e material.



            Segundo Alexandre Culmino, em seu livro Deus, Deuses, Divindades e Anjos”, “O filósofo grego Platão de egina (429 – 347 a.C.) no seu “Timeu”, ensinava que , “do número sete foi gerada a alma do mundo”. Santo Agostinho via nele o “símbolo da perfeição e da plenitude”. Santo Ambrósio dizia que era “o símbolo da virgindade”. Este simbolismo era assimilado pelos Pitagóricos, entre eles Nicômano (50 d.C.), em que o “sete era representado pele deusa Minerva (a virgem)” que era a mesma Atena de Filolau (370 a.C.). Por outro lado, na antiguidade associava-se o sete: a VOZ, ao SOM, a CLIO, musa da história, ao deus egípcio OSIRIS, às deusas gregas: NÊMESIS e ARASTIA e ao deus romano MARTE”.



No livro “ O simbolismo dos números na maçonaria”, Boanerges Castro expõe que todas as células de nosso corpo  a cada SETE anos, se renovam inteiramente de modo tal que somos, na realidade, um individuo inteiramente novo em cada SETE anos de vida.



Assim, encerramos o presente texto com a convicção de que há muito ainda para se conhecer sobre o número aqui estudado, lembrando que os segredos são guardados a sete chaves.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Para reflexão: " O Todo é Mente; o Universo é mental"


Para refletir:

"O TODO é Mente; o Universo é Mental",

“Se o Universo é Mental na sua natureza, a Transmutação Mental pode ser considerada como a arte de MUDAR AS CONDIÇÕES DO UNIVERSO, nas divisões de Matéria, Força e Mente. Assim compreendereis que a Transmutação Mental é realmente a Magia de que os antigos escritores muito trataram nas suas obras místicas, e de que dão muito poucas instruções práticas” (O CAIBALION)