domingo, 13 de março de 2016

O HOMEM E O MICROCOSMO


Em nossa vida cotidiana, ficamos imersos numa visão materialista da vida, buscando sempre o que é racional, chegando num entendimento comum e multilado do ser humano, consciente apenas da realidade fragmentada e danificada que nos circunda, esquecendo-se da nossa essência espiritual. Como colocado no Caibalion, “ Sob as aparências de Universo, Tempo, de Espaço e de Mobilidade está sempre encoberta a Realidade Substancial- a Verdade Fundamental”.

O macrocosmo é o Universo do ponto de vista coletivo e objetivo, Já o microcosmo é o universo individual. Assim, no ser humano, temos o universal e o particular, sendo que o particular deriva do universal, ou seja, o microcosmo é um produto originário do macrocosmo. Dentro dessa perspectiva, passamos a entender que o homem é um ser multidimensional, onde o seu microcosmo se relaciona com o macrocosmo, ou seja, o microcosmo é onde o macrocosmo se manifesta, e vice-versa, lembrando aqui do princípio da polaridade que atribui o equilíbrio e a força para a existência.       O alicerce para a experiência da vida é a dualidade. Tudo que existe é dual e necessita do seu oposto para se complementar, se manifestar e manter-se.

Muitos símbolos, ao longo da história, nos dão conta dessa verdade, porém alguns foram deturpados em suas possíveis interpretações. Entretanto, para nós, nessa singela reflexão, apontamos como figuras representativas da relação homem e universo: o Baphomet, o pentagrama, o grande símbolo de Salomão, a ROSACRUZ, entre outros.

Cabe-nos destacar que pensar o ser humano na sua relação com o macrocosmo, vai para além do pensamento analítico da influência dos astros sobre o corpo humano. Na verdade, tal concepção entende o ser como parte da natureza, um organismo único. Logo, há uma relação substancial entre o micro e o macro que se oculta na objetividade e racionalidade, e que no entanto mostra-se essencial para a evolução. Assim, infere-se que para entender o todo, devemos antes entender a parte, o individuo.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Iniciação à magia das oferendas na Umbanda


A oferenda dentro da linha de Umbanda para além do sentido religioso, ela liga-se ao conceito de magia, de movimentação das energias.

Mestre Yapacani, coloca em seu livro “Mistérios e práticas na Lei de Umbanda”, a seguinte explicação:



A oferenda na Corrente Astral de Umbanda difere bastante, quer no sentido da oblata da igreja, quer no sentido das oferendas ou das “comidas de santo” dos

“candomblés” ou Cultos Africanos. Por quê?...

Porque na Umbanda a oferenda existe, porém dentro do seguinte conceito: Deus – o Pai-Eterno, Jesus – o Cristo Planetário, as Potências Espirituais Superiores, isto é, os Orixás, os Arcanjos, ou mesmo os Anjos, etc., só se comprazem com a “oferenda” ou com a oferta mental – do sentimento, do coração, do pensamento, assim como o que se possa interpretar como prece, oração, evocação etc...

Agora, abaixo de Deus, de Jesus, dessas Potências Celestiais, existem os ESPÍRITOS em seus diferentes graus de evolução de entendimento, etc. Aos espíritos, dentro de certos graus de entendimento, isto é, aos espíritos que ainda sentem necessidade delas – das oferendas – e ainda aos que se comprazem com certos tipos de ofertas, a eles assim são encaminhadas, tudo de acordo com a movimentação de certas forças mágicas, dentro da citada Corrente Astral de Umbanda. E ainda temos que considerar mais esse terceiro aspecto: a maioria de nossas entidades, “Guias ou Protetores”, podem solicitar uma oferenda sem ter necessidade direta dela e nem mesmo para se comprazer dela. Podem e usam a oferenda, para certos movimentos de força mágica relacionados com os “elementares” – ditos como “espíritos da natureza”...

Portanto, a oferenda na Umbanda existe, mas para espíritos (nome pelo qual designam os seres desencarnados...) e nunca para Deus, nem para Jesus, nem para os Orixás. Existem ou são feitas para os espíritos que estão dentro da faixa dos Orixás... compreendido?







De acordo com o exposto por Yapacani, vemos que as oferendas estão ligadas aos espíritos que de certa forma necessitam desses sabores mundanos. Nesse sentido, podemos acrescentar que a oferta de alimentos está, muitas vezes,  atrelada a um com conceito social, pois o ato de se alimentar atinge esferas culturais, religiosas etc.

No contexto das oferendas dentro da Umbanda, com algumas exceções, vemos sempre a oferta de coisas provindas da Terra, aí encontramos a primeira ligação mágica. Ofertamos aquilo que provém da Natureza, assim ativamos o ciclo de recarregamento do Axé, podendo ocorrer a troca de energia. Nesse sentido, utilizando-se do ciclo, fazemos com que as oferendas seja, elementos ativadores das ondas energéticas.

Aqui, podemos ir um pouco mais para dentro da questão das oferendas, e inferir que muitos preceitos realizados necessariamente utilizam elementos naturais, pois os mesmos carregam o Axé naturalmente, e com seu emprego em certos preceitos conseguimos ativar determinadas energias.

Nesse entrecho, lembramos um princípio hermético que  tudo vibra e nada está parado, assim tais elementos naturais, que inicialmente aos profanos podem parecer sem vida, na realidade são organismos vivos e que recebem energias e as emanam também. Logo, os materiais utilizados no preceitos, de ordem de oferenda, recebem influências diversas que carregam seu Axé, entre essas fontes de energia temos também os planetas que exercem influência sobre tais aspectos, contribuindo com suas especificidades para a aplicação mágica ou para a manipulação das energias.

Por fim, outro aspectos que deve ser considerado dentro das oferendas é o objetivo das mesmas e a quem se destina, pois esses dois elementos, dentro de uma ampla correspondência energética, determinarão quais os materiais a serem utilizados e também a forma ritualística.




sábado, 13 de fevereiro de 2016

Arcano 17: A estrela


Se encararmos o Tarot como o livro da vida, assim como também numa relação com à arvore da vida da Kabala, poderemos inferir que o presente arcano representa o momento da observação, do descanso e renovação das esperanças, portanto é um arcano com fortes ligações com a esperança e a renovação.

O arcano 17 é representado pela estrela, tendo em sua alegoria uma figura feminina desnuda despejando o conteúdo de 2 jarros na margem de um rio e acima dela encontramos a estrela flamejante.

Inicialmente, podemos iniciar nossa reflexão pela figura feminina nua, que de certa forma representa a esperança, algo que está para além da concretude, sendo aqui colocado de modo abstrato, aliás quando estamos despojados das coisas materiais, estamos em nosso estado de pureza, despojado de valores mundanos e objetos corruptores de nossas consciência, assim a nudez representada simboliza a expressão essencial do ser.

Ainda dentro da descrição da lâmina, vemos uma mulher com 2  jarros despejando um liquido na água e outro na terra. Nesse ponto, vemos a fluidez das coisas, lembrando-nos que nada está parado. Por outro lado, vemos a questão da fecundidade, evocando aqui os conceitos de Yang e Yin, pois considerando que terra e água são elementos ligados a Yin,  tendo muitas vezes sua ação de dentro para fora.

Alguns estudiosos apontam que os jarros seriam um de ouro e o outro de prata. Nesse sentido, teriamos  a combinação alquímica perfeita.

Segundo Samael Aun Weor, em seu livro “ O caminho iniciático nos arcanos do tarôt e cabala”, temos se seguinte colocação:



O hieróglifo do arcano nº. 17 é a Estrela Radiante e a Juventude Eterna. Neste arcano aparece uma mulher desnuda que esparge sobre a terra a seiva de vida universal que sai dos dois jarrões, um de ouro e outro de prata.  Se estudarmos cuidadosamente o conteúdo esotérico deste arcano descobrimos a alquimia perfeita. Precisamos de trabalhar com o ouro e com a prata, com o Sol e com a Lua para encarnar a Estrela-de-Oito-Pontas, o Luzeiro da Manhã. Realmente a Estrela-de-Oito-Pontas é Vénus. Aquele que alcança a Iniciação Venusta tem a dita de encarnar o Dragão de Sabedoria (o Cristo Interno). É preciso trabalhar com o fogo e com a água para se receber a Iniciação Venusta. A Estrela crucificada na cruz é o Cristo dos Abraxas, o Filho do Homem, o Verbo encarnado. No Apocalipse de São João encontramos, relacionado com Vénus, o Luzeiro da Manhã: «…e àquele que vencer dar-lhe-ei a Estrela da Manhã» (apocalipse 2: 26-28). «…Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos dar testemunho destas coisas nas Igrejas. Eu sou a raiz e a geração de David e a resplandecente Estrela da Manhã»

SAMAEL AUN WEO





Na parte superior da carta, temos a estrela de 8 pontas, a Estrela-de-Oito-Pontas deste Arcano representa Vênus, a Estrela da Manhã. Neste arcano encontramos representado o trabalho com o Ouro e com a Prata; com o Sol e com a Lua. A estrela de oito pontas também pode ser interpretada como o símbolo de plenitude e regeneração, está ligado aos diversos sistemas de oito pontas que podem ser encontrados no roda pagã anual, nos  trigramas do I Ching, entre outras escolas ou filosofias.Assim, nessa perspectiva, retomamos a ideia inicial evocada no presente texto da mulher desnuda e da questão do despojamento das coisas mundanas, para buscar um ela de ligação com  a estrela de oito pontas, pois ela terá uma íntima ligação com a ideia do equilíbrio, da combinação das coisas para atingir a evolução. Portanto, no arcano 17, estamos num momento meditativo para optar por melhores caminhos.

Na visão da kabala, o presente arcano se situaria no 27º caminho da arvore da vida, ligando o centro do poder criador em Nezah ao centro do pensamento concreto em Hod. Assim, chegaríamos a conclusão que o referido arcano, em sua alegoria, esclarece a necessidade da transmutação e combinações para que se possa evoluir.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

REFLEXÕES SOBRE O NÚMERO 7








“Sete dias da semana, sete notas musicais,
Sete cores do arco-íris nas regiões divinais,
E se pintar tanto sete, eu já não aguento mais.” ( Raul Seixas)





O número 7 está presente em tantos momentos de nossa vida, cerca-nos em tantas questões, que hoje resolvi realizar uma especulação simbólica, filosófica, esotérica, entre outros aspectos para compreender um pouco melhor.



Na realidade, refletir e meditar sobre o número 7, é o mesmo que estudarmos o mundo onde vivemos, uma vez que ele implica para sua compreensão o entendimento do microcosmo e do macrocosmo.



Mas como este não é um ensaio sobre Numerologia, vamos, apenas, apresentar o que mais nos interessa, e realizar alguma divagações abertas as críticas e novas perspectivas.



Curiosamente, em observação, percebemos que temos:

7 Dias da Semana: Segunda,  Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Domingo.
7 Anjos Superiores dos Planetas: Gabriel, Rafael, Hanel, Michael, Samael, Zadkiel, Zafkiel.
7 Espíritos dos Planetas: Phul, Ophiel, Haegt, Och, Phaleg, Relor, Aratrom.
7 Espíritos /interiores dos Planetas: Gabriel, Rafael, Anae!, Michael, Samael, Tachel, Cassiel.
7 Virtudes: Esperança, Temperança, Amor, Fé, Fortaleza, Justiça, Prudência.
7 Metais: Prata, Mercúrio, Cobre, Ouro, Ferro, Estanho, Chumbo.
7 Vícios: Avareza, Inveja, Luxúria, Vaidade, Violência, Gula, Egoísmo.
7 Cores: Verde, Amarela, Violeta, Laranja, Vermelha, Azul, indigo (anil).
7 Notas Musicais: Fá, Mi, Lá, Ré, Do, Sol, Si.



Assim poderemos continuar enumerando muitos outros setenários, porém bastam estes. Agora, voltando nosso olhar, especificamente, para dentro da Umbanda, veremos que o número sete é utilizado em diversos pontos, em oferendas e também está presente no nome de várias entidades que militam nessa corrente.



Basicamente, encontramos que o sete é uma combinação do três com o quatro. Eliphas Levi, expressa em seu livro “ Dogma e Ritual de Alta Magia, que o setenário é um número sagrado, pois está composto da tríade e o tetra. O número sete representa poder mágico em toda sua abundância; é a mente reforçada por todas as potências elementares; é a alma servida por natureza; é o SANCTA REGNA pela leitura dentro das Chaves de Salomão



Na Grécia antiga, entre os pitagóricos, o 3 era considerado o número perfeito por ter princípio, meio e fim. Por essa razão, o 3 era considerado o símbolo do divino. Para quem não sabe, o sete é uma combinação do três com o quatro. Aqui, o Três, representado por um triângulo, é o Espírito e o quatro, representado por um quadrado, é a Matéria.


          Sobre o número três diversos exemplos na Literatura especializada. Vejamos o significado do número quatro, ou seja, o quartenário.
O quatro sempre foi estimado como o número do mundo físico. O quatro está relacionado aos quatro pontos cardeais. Ainda podemos buscar outras exemplificações, tais como: 4 elementos, 4 estações do ano, 4 fases da Lua, etc.



Ainda dentro do prisma de que o número 7 é constituído de 4+3, podemos encontrar algumas reflexões importantes no estudo do sétimo arcano, conhecido como o Triunfo. Dentro da escola gnóstica, apoiando aqui nossas reflexões em Samael Aun Weor, mais especificamente em sua obra “O caminho iniciático nos arcanos do tarôt e da cabala”, encontraremos a descrição da lâmina contendo:



 “nas águas da vida, duas esfinges, a Branca e a Negra, que puxam o seu carro, simbolizando as forças masculinas e femininas.  Um guerreiro que representa o Íntimo está de pé no seu carro de guerra, na pedra cúbica (o sexo) e entre os 4 pilares que constituem a Ciência, a Arte, a Filosofia e a Religião, nas quais se desenvolve. Os 4 pilares também representam os 4 elementos, indicando que aquele os domina. Na sua mão direita está a espada flamejante e na sua mão esquerda, o báculo do poder. A couraça é a ciência divina que nos torna poderosos. O guerreiro deve aprender a utilizar o Báculo e a Espada, desse modo conseguirá a grande vitória. Na sua cabeça, um gorro de 3 pontas, representa as 3 forças primárias. Na parte superior aparece RA, o Cristo Cósmico (as asas). ” ( Samael Aun Weor).



Nesta perspectiva, o número 7 representa a vida na terra, constituindo-se na primeira manifestação do homem para o entendimento do mundo divino. Nesse momento, cabe-nos destacar que a segmentação numérica, onde teremos como seu numeral posterior o número 8, que de forma geral está ligado às coisas infinitas e divinas. Assim, o número 7 é a fronteira da passagem do conhecido para o desconhecido. Assim, avançando nas nossas reflexões, vemos no número em questão a ligação do espiritual com o material.



É possível detectar essa analogia também dentro do cristianismo, na oração do Pai Nosso, podendo encontrar nela 7 postulados principais, sendo eles:



1) Santificado seja o vosso nome;



2) Venha a nós o vosso reino;



3) Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu;



4) O pão nosso de cada dia nos daí hoje;



5) Perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido;



6) Não nos deixeis cair em tentação;



7) Livrai-nos do mal.



Para além dos 7 postulados, podemos também inferir que o sete representado na oração advém da ideia de 4+3, pois temos três postulados dirigidos a Deus e quatro para o homem, representando o mundo material.





Nesse ponto, cabe-nos apontar a Escada de Jacob (Jacó), referenciada na bíblia em Gênesis 28,11-19, que emerge no presente contexto quando Jacob teve essa visão durante o sono, de uma escada, cujos pés repousavam sobre a terra, e cujo topo chegava aos céus. Anjos continuamente subiam e desciam através dela. O número de degraus mais aceito para a interpretação dessa passagem bíblica é de um total de 7. Dentro dos conceitos Rosacruz, numa perspectiva simbólica ampla, cada degrau da escada  estaria  ligado as montanhas dos setes episódios relacionado com o povo judeu,  sendo o sétimo a representação  de Jesus no Monte da Oliveiras. Assim, seria esse o momento de entrega total a espiritualidade.Aqui também destacamos que para a Maçonaria, a escada de Jacó simboliza a ligação do plano físico com o espiritual, corroborando com o pensamento expresso no parágrafo anterior, onde fora apontado que o 7 é  a fronteira da passagem do conhecido para o desconhecido. Ainda, conforme aponta João Anatalino, podemos acrescentar que no Hinduísmo já se creditava a existência da Escada de Brahma, na qual os iniciados nos mistérios daquela religião deviam subir. Ainda de acordo com João Anatalino, “os hindus acreditavam que o mundo era composto por sete estratos, cada um atingível por um escada, ou nível de sabedoria iniciática. O primeiro estrato era a terra, e a consciência humana, o mais ínfimo deles. O segundo era o mundo dos espíritos, ou da reencarnação. O terceiro era o céu. O quarto era um estado intermediário onde as almas ficavam, assim que desencarnassem. O quinto era o mundo da regeneração, onde as almas eram preparadas para reencarnar novamente. O sexto era o Palácio do Grande Rei, onde habitava Brahma, o Grande Princípio Criador dos céus e da terra. O sétimo era o mundo de Brahma, onde habitava Brahman, a Essência, o Incriado, a Verdade em Si Mesma, o En Shoph dos cabalistas, o próprio Deus em sua essência, o Pai da Luz”.



Na Umbanda, o número 7 está associado ao orixá Ogum, que tem como astro regente Marte e signo zodiacal áries e escorpião. Dentro da simbologia de algumas escolas ocultistas, encontraremos o planeta marte associado ao elemento fogo, onde por meio de analogias, e estudos mitológicos – os quais não aprofundaremos no presente ensaio- chegaremos a representação de Ogum. Interessante observarmos que Marte, na mitologia Grega, era o Deus da Guerra. Ainda cabe-nos salientar que o Ogum é o primeiro orixá a descer do Orun para o Aiye, mostrando aí também uma possível ligação dele com o número 7 e a ideia da ligação espiritual e material avocada por tal número. Por outra perspectiva, considerando a concepção de 4+3, encontraremos também o referido orixá na sua figura de guerreiro e dominador.

Ainda dentro da Umbanda, embora sejamos conhecedores das transformações sofridas pelo vocábulo que nomeia a religião, é importante notarmos que o mesmo tem sete letras, e que sua tradução é o conjunto das lei de Deus, que em suma mostra a ligação com a ideia inicial exposta no texto do 7 como resultado de 4+3, pois as leis de Deus regem o princípio espiritual e material.



            Segundo Alexandre Culmino, em seu livro Deus, Deuses, Divindades e Anjos”, “O filósofo grego Platão de egina (429 – 347 a.C.) no seu “Timeu”, ensinava que , “do número sete foi gerada a alma do mundo”. Santo Agostinho via nele o “símbolo da perfeição e da plenitude”. Santo Ambrósio dizia que era “o símbolo da virgindade”. Este simbolismo era assimilado pelos Pitagóricos, entre eles Nicômano (50 d.C.), em que o “sete era representado pele deusa Minerva (a virgem)” que era a mesma Atena de Filolau (370 a.C.). Por outro lado, na antiguidade associava-se o sete: a VOZ, ao SOM, a CLIO, musa da história, ao deus egípcio OSIRIS, às deusas gregas: NÊMESIS e ARASTIA e ao deus romano MARTE”.



No livro “ O simbolismo dos números na maçonaria”, Boanerges Castro expõe que todas as células de nosso corpo  a cada SETE anos, se renovam inteiramente de modo tal que somos, na realidade, um individuo inteiramente novo em cada SETE anos de vida.



Assim, encerramos o presente texto com a convicção de que há muito ainda para se conhecer sobre o número aqui estudado, lembrando que os segredos são guardados a sete chaves.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Para reflexão: " O Todo é Mente; o Universo é mental"


Para refletir:

"O TODO é Mente; o Universo é Mental",

“Se o Universo é Mental na sua natureza, a Transmutação Mental pode ser considerada como a arte de MUDAR AS CONDIÇÕES DO UNIVERSO, nas divisões de Matéria, Força e Mente. Assim compreendereis que a Transmutação Mental é realmente a Magia de que os antigos escritores muito trataram nas suas obras místicas, e de que dão muito poucas instruções práticas” (O CAIBALION)

domingo, 20 de setembro de 2015

INTRODUÇÃO AO USO MÁGICO DAS VELAS


Na atualidade, qualquer estudante das ciências ocultas encontrará muitas receitas e fundamentos solicitando a utilização das velas. No entanto, cabe-nos frisar que seu advento não é exclusividade da modernidade, pois gravuras rupestres já apontavam para utilização algo semelhante na era Antes de Cristo. A crença na realidade dos poderes mágicos está e esteve presente em diversas civilizações e, consequentemente, nas culturas.

Crowley definia magia como  a Ciência e a Arte de causar mudanças de acordo com a vontade, postulando que qualquer mudança pode ter efeito através da aplicação do tipo e grau de força apropriados,  a maneira apropriada, através do meio apropriado ao objeto apropriado. Assim, a grosso modo, podemos inferir que a Magia é a ciência dos magos, a qual causa efeitos físicos visíveis a partir operações e processos invisíveis e ocultos. No entanto, para a realização do ato mágico, o mago necessita do uso concentrado e determinado do pensamento, da emoção e da vontade, tudo misturado num conjunto harmônico necessitando assim ao operador da magia de elementos e sinais físicos para auxiliá-lo no procedimento. Dessa forma, os ritos e os elementos utilizados na operação mágica são condensações radicais fluídicas primordiais ligadas as linhas de forças que a tudo comandam, regulando a movimentação energética para o fim proposto.

Nesse ponto, cabe-nos visitar os postulados do Hermetismo exposto em “O Caibalion”, e assim buscamos em nossa reflexão dois principios fundamentais do Hermetismo, dentre os sete principais, que são: o principio do mentalismo e o da vibração. Quanto ao primeiro, encontraremos que  "O TODO é MENTE; o Universo é Mental. Assim, encontraremos neste princípio uma grande verdade que tudo é mente, que há uma realidade substancial que se oculta em todas as manifestações e aparências que conhecemos sob o nome de Universo Material, Fenômenos da Vida, Matéria, Energia, numa palavra, sob tudo o que tem aparência aos nossos sentidos materiais. Na sequência, temos o terceiro princípio que é o da vibração, onde encontraremos que nada está parado, tudo se move,tudo vibra. Diante desse principio, encontraremos um postulado que demonstra a verdade das coisas, afirmando que tudo está em movimento, tudo vibra e nada está parado. E nessa incursão pelo Hermetismo cabe-nos ainda mencionar o princípio da correspondência, "O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima", onde a verdade que existe uma correspondência entre as leis e os fenômenos dos diversos planos da Existência e da Vida. Tal axioma proporciona-nos ao ser humano os meios de explicar muitos paradoxos obscuros e segredos da Natureza, exprimindo a Lei Universal.

Após essa explanação sobre magia, chegamos enfim a utilização mágica das velas, onde inicialmente precisamos entender que ela é, antes e tudo, um elemento necessário a alguns tipos de movimentações energéticas e ritos mágicos, constituindo-se assim num aparato físico para o propósito mágico, sendo também um condensador fluídico. Na perspectiva do Hermetismo, inferimos, então, em sua utilização que ela tem um padrão vibratório, o qual o magista manipula com suas reais intenções, carregando e condensando o fluído invisível e a energia manifestando o outro principio hermético. Aqui, chegamos a conclusão que ao acendermos uma vela devemos declarar sua intenção ou propósito, direcionando e vibrando as energias sutis, movimentando as linhas de forças, pois ao contrário será apenas uma luz acesa, sem efeito nenhum.

Por outro viés de análise da utilização da velas, veremos que ela, por sua natureza, está ligado ao elemento ígneo, porém para além disso ela tem a representação dos 4 elementos assim como os  estados da matéria. Diante disso, evocamos uma das possíveis interpretações do pentagrama, demonstrando o domínio dos elementos. Assim, divagando nas ideias,  encontraremos que o pentagrama está associado ao número 5 (Yorimá), o qual está associado aos elementos dinâmicos, ou seja, aquilo tem movimento e força. Nesse sentido, o número 5 é um símbolo sintético, constituindo-se na síntese da movimentação mágica, edificando a concepção do homem dominando os elementos. Cabe-nos aqui ainda acrescentar que, de acordo com Eliphas Levi,o pentagrama representa exprime a dominação do espírito sobre os elementos, mostrando como o ser humano os ordena. Ainda, acrescentamos que algumas escolas iniciáticas, tem  no número cinco a representatividade do princípio do centro, não só geográfico, mas energético e espiritual. É ele que permite equilibrar e regular o jogo constante do yin e do yang em suas diferentes manifestações e assegurar a unidade do fluxo perpétuo das coisas. O cinco representa a adição dos dois, de essência feminina, ao três, de essência masculina. Simboliza, portanto, a totalidade do universo.

Por fim, quanto o número de velas utilizadas nos rituais, mestre Yapacani aponta que devemos utilizar em número par para coisas materiais e ímpar para fins espirituais. Ao nosso ver, suas considerações estão intimamente ligadas as concepções de numerologia dentro da cabala, as quais não explicitaremos aqui pois necessitaríamos estenderíamos o presente texto, no entanto dentro da escola pitagórica teremos que os números pares e ímpares se ligam pelas ideias de finito e infinito, constituindo um todo harmônico. Assim, para além da alquimia da vela na utilização da magia e também nos rituais com diversas finalidades ( adoração, celebração, súplica, etc) o sacerdote deve possuir sólidos conhecimentos da numerologia para compreender a necessidade de velas (luzes) a serem utilizadas visando vibrar o principio do objetivo ritualístico.


domingo, 23 de agosto de 2015

Mediunidade e Chakras: breve reflexão


Iniciamos nossas reflexões apontando que as assertivas e analogias aqui apresentadas não possuem a pretensão de serem verdades eternas e imutáveis, mas sim uma contribuição para o entendimento de algo maior e divino. Não nos esqueçamos, que enquanto umbandistas, somos universalistas, não no sentido de fazer uma grande mistura, mas no sentido de entender e compreender essa mistura, de forma consciente, visando vislumbrar a convergência das diferentes escolas e ensinamentos para a descoberta das verdades divinas.

Segundo Leadbeater, em seu livro “Os Chakras: os centros magnéticos vitais do ser humano”, “quando um homem começa a aguçar os sentidos, que então lhe permitem perceber algo mais do que os outros percebem, desdobra-se diante dele um mundo novo e fascinante. Os chakras são as primeiras coisas desse novo mundo que lhe chamam a atenção. As pessoas se lhe apresentam sob um novo aspecto, nelas descobrindo muita coisa que antes permanecia oculta à sua vista; e portanto, é capaz de compreender, apreciar e, nos casos necessários, auxiliar o próximo muito melhor do que lhe era possível antes”.

            Há mediunidade esteve presente ao longo do percurso da humanidade, ainda que sobre outras roupagens ou entendimentos. Segundo Edgard  Armond, em seu livro “ Mediunidade”, a  faculdade mediúnica, tanto a natural como a de prova, não é fenômeno de nossos dias, destes dias nos quais o Espiritismo encontrou seu clímax mas, sempre existiu, desde quando existe o homem.  Ainda de acordo com Armond,  foi muito por meio dela que os Espíritos diretores puderam interferir na evolução do mundo orientando-o, guiando-o, protegendo-o.

Encontraremos na literatura ocultista que na pura Raça Vermelha, os seres encarnados tinham os  7 sentidos naturais, de forma inerente aos seus corpos físicos. Isso quer dizer que  os sentidos de ordem astral eram intrínsecos ao psicossoma dos Seres Espirituais. Isso explica grandes indagações inquietantes de nossas mentes, do porque antigamente, em épocas remotas, ensinamentos ditos ocultos ou lei ocultas eram mais desveladas do que na atualidade. Entretanto, ainda em relação a essa época remota, esclarecemos que  entre o corpo físico e o corpo astral não havia nenhum delimitador vibratório ou dimensional, ou seja, os meios de comunicação com o plano astral eram naturais. Não eram necessárias pontes, ou seja, portas vibratórias que se abrem ou fecham. No entanto, com a evolução dos costumes e os períodos reencarnatórios, essa ligação direta foi-se deteriorando, sendo necessária a criação da tela atômica, a qual se constitui num limitador ou regulador da manifestação da vida astral no mundo físico denso. Assim, a mediunidade passa de um status natural para uma classificação de condição especial  ofertada  ao Ser Espiritual que encarna com o compromisso de ser o mediador entre as dimensões. Dessa forma, o corpo físico, o mental e o astral recebem um acréscimo em seus centros vitais, que os fazem vibrar e sentir as coisas diferentemente de outros Seres Espirituais não médiuns. Esse processo acontece pelo  comando central do corpo mental, que emite impulsos em formato de mensagens, veiculadas pelas Linhas de Força (condutores vibratórios) ao corpo astral e esse, por meio dos Núcleos Vibratórios principais, vibrava em consonância com os Núcleos Vibratórios de ordem etérica, que no corpo físico denso equivalem aos plexos nervosos (conjunto de nervos) ou glândulas endócrinas (que produzem ou armazenam hormônios, os quais são indispensáveis ao funcionamento de todo o organismo).

Nesse instante, começamos a descobrir então as ligações entre o corpo físico e o astral, onde nos cabe buscar uma possível definição para essas linhas de forças e os centros propulsores da energia. Assim, chegamos aos chakras, que por definição Hindu, seriam rodas de forças. Poderíamos também dizer que o chakra é a designação sânscrita abonada aos centros de força viventes nos corpos “espirituais”, sendo, além disso, titulados de lótus.

Segundo Michel Coquet explana em seu livro “ A anatomia vital do ser humano”, pode-se conceituar o chakra como o ponto onde os nadis se encontram como os raios no cubo de  uma roda de carruagem. Os centros são formados pelo encontro destas linhas de força (nadis), do mesmo modo que os plexos, no corpo físico, são formados pelo encontro de nervos. Existem centros maiores, aqueles que resultam do encontro de um número maior de nadis (vinte e uma vezes, segundo Coquet) e os centros menores em que a confluência dos nadis é menor. Entre estes últimos existem vinte e um formados pelo encontro de quatorze  nadis e outros bem menores constituídos pela intercepção de sete nadis.   São, os nadis, assim sendo, linhas de força que não devem ser confundidas com os nervos do corpo físico, embora estejam em relação a eles como os chakras com os plexos e órgãos do corpo físico. São condutores de energia.

Os chakras estão situados no duplo etérico e as forças que se difundem por meio dos chakras são essenciais à vida do duplo etérico. Por isso, todos os indivíduos possuem estes centros de força, embora o grau de seu desenvolvimento varie muito em cada indivíduo. Sem os chacras, o Espírito não poderia exercer o seu controle e sua atividade sobre o corpo físico, nem tomar conhecimento das sensações vividas pelo mesmo, pois eles transferem à região anatômica correspondente, cada decisão assumida pelo Espírito no seu mundo oculto. Nesse entrecho, de acordo com Leadbeater, cabe-nos destacar que nas conversações comuns e superficiais, o ser humano afeiçoa discorrer sobre sua alma como se o corpo, por mediação do qual ele fala, fosse o verdadeiro ser, e que a alma, uma propriedade ou feudo do corpo, algo semelhante a um globo cativo a flutuar sobre o corpo, a ele ligado de certo modo. Esta asseveração é inexata, ausente de embasamentos e errônea, pois a inversa é que é verdadeira. O indivíduo é uma alma que tem um corpo, ou em realidade vários corpos, outros corpos invisíveis à visão ordinária, com os quais se relaciona com os mundos emocional e mental.

Assim, no caminhar de nossas leituras, deparamos com as colocações de Nadya Prado, onde assertivamente postula: “ A mediunidade, como um sexto sentido, conecta-nos as dimensões sutis e essa interação entre o mundo físico e espiritual se faz através dos chacras. A autora ainda coloca que os chakras são pontos de conexão entre os diversos corpos do ser multidimensional. Eles captam, assimilam e emitem ondas de energia. Dessa forma, com as ligações multidimensionais do corpo efetivadas pelas linhas de força, as ondulações, emoções e energias são transmitidas do astral para o físico. Logo, podemos inferir que as emanações fluídicas dos planos sutis nos abiscoitam a percepção por meio desses centros energéticos, que se enlaçam aos feixes de nervos do corpo físico cognominados plexos e atuam sobre o sistema endócrino.

Assim, seguindo o raciocínio de Leadbeater, a abertura das portas para o mundo astral tem sua chave mestra no desenvolvimento dessa linhas e centros de forças. O autor coloca ainda que “conquanto a natureza tome esquisitas precauções para resguardar os chakras, não é seu propósito que permaneçam sempre rigidamente fechados. Há um processo normal de abri-los. Talvez fosse mais próprio dizer que a natureza não se propõe abrir os chakras mais do que o estão, senão que o homem deve aperfeiçoar-se de modo que lhes aumente até a plenitude a sua atividade. A consciência do homem comum não é ainda capaz de utilizar a matéria atômica do corpo físico nem a do astral, e portanto, em circunstâncias normais não pode estabelecer comunicação voluntária entre os dois planos. O único meio de consegui-lo é purificar ambos os veículos até que se lhes vitalize a matéria atômica, de modo que todas as comunicações entre um e outro sigam seu caminho obrigatório. Em tal caso, a tela etérica se mantém no maior grau de posição e atividade, e em conseqüência já não representa um obstáculo para a intercomunicação, e contudo impede o contato entre os subplanos inferiores, que daria passagem a todo o gênero de sinistras influências”

Podemos inferir, após algumas reflexões, que os chakras seriam os nossos sentidos astrais, assim como temos os físicos: tato, paladar, entre outros. Então, as rodas energéticas teriam essa função também, para além de outras que sustentam a existência do corpo físico e que não abordaremos no presente texto, pois extrapolaríamos os objetivos propostos. Nessa mesma linha pensamento, Leadbeater também se expressou dizendo que
“de certo modo e até certo ponto, os chakras astrais podem ser considerados como os sentidos do corpo astral. Mas convém definir este conceito para evitar erros, porque não se deve esquecer que, embora para melhor compreensão falemos da visão e audição astrais, estas expressões significam a faculdade de responder às vibrações transferíveis à consciência do ego, quando atua no corpo astral, da mesma forma pela qual transfere para sua consciência as percepções visuais e auditivas, recebidas pelos olhos e ouvidos do corpo físico. Mas na atuação astral não se necessita de órgãos especializados para conseguir tal resultado, pois em todo o corpo astral há matéria capaz de responder às vibrações procedentes do exterior”. Aqui ainda cumpre-nos elucidar que  a rigor não podemos ponderar os chakras astrais como órgãos sensórios, assim como temos  orelhas, olhos, pois não é por eles que o homem astral vê ou ouve, tal qual o homem físico, No entanto,  a percepção astral está sujeita ao despertar dos chakras astrais, porquanto cada um, ao despertar para a plena atividade, dá ao corpo astral a virtude de responder a uma nova ordem de vibrações.