sexta-feira, 30 de outubro de 2015

REFLEXÕES SOBRE O NÚMERO 7








“Sete dias da semana, sete notas musicais,
Sete cores do arco-íris nas regiões divinais,
E se pintar tanto sete, eu já não aguento mais.” ( Raul Seixas)





O número 7 está presente em tantos momentos de nossa vida, cerca-nos em tantas questões, que hoje resolvi realizar uma especulação simbólica, filosófica, esotérica, entre outros aspectos para compreender um pouco melhor.



Na realidade, refletir e meditar sobre o número 7, é o mesmo que estudarmos o mundo onde vivemos, uma vez que ele implica para sua compreensão o entendimento do microcosmo e do macrocosmo.



Mas como este não é um ensaio sobre Numerologia, vamos, apenas, apresentar o que mais nos interessa, e realizar alguma divagações abertas as críticas e novas perspectivas.



Curiosamente, em observação, percebemos que temos:

7 Dias da Semana: Segunda,  Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Domingo.
7 Anjos Superiores dos Planetas: Gabriel, Rafael, Hanel, Michael, Samael, Zadkiel, Zafkiel.
7 Espíritos dos Planetas: Phul, Ophiel, Haegt, Och, Phaleg, Relor, Aratrom.
7 Espíritos /interiores dos Planetas: Gabriel, Rafael, Anae!, Michael, Samael, Tachel, Cassiel.
7 Virtudes: Esperança, Temperança, Amor, Fé, Fortaleza, Justiça, Prudência.
7 Metais: Prata, Mercúrio, Cobre, Ouro, Ferro, Estanho, Chumbo.
7 Vícios: Avareza, Inveja, Luxúria, Vaidade, Violência, Gula, Egoísmo.
7 Cores: Verde, Amarela, Violeta, Laranja, Vermelha, Azul, indigo (anil).
7 Notas Musicais: Fá, Mi, Lá, Ré, Do, Sol, Si.



Assim poderemos continuar enumerando muitos outros setenários, porém bastam estes. Agora, voltando nosso olhar, especificamente, para dentro da Umbanda, veremos que o número sete é utilizado em diversos pontos, em oferendas e também está presente no nome de várias entidades que militam nessa corrente.



Basicamente, encontramos que o sete é uma combinação do três com o quatro. Eliphas Levi, expressa em seu livro “ Dogma e Ritual de Alta Magia, que o setenário é um número sagrado, pois está composto da tríade e o tetra. O número sete representa poder mágico em toda sua abundância; é a mente reforçada por todas as potências elementares; é a alma servida por natureza; é o SANCTA REGNA pela leitura dentro das Chaves de Salomão



Na Grécia antiga, entre os pitagóricos, o 3 era considerado o número perfeito por ter princípio, meio e fim. Por essa razão, o 3 era considerado o símbolo do divino. Para quem não sabe, o sete é uma combinação do três com o quatro. Aqui, o Três, representado por um triângulo, é o Espírito e o quatro, representado por um quadrado, é a Matéria.


          Sobre o número três diversos exemplos na Literatura especializada. Vejamos o significado do número quatro, ou seja, o quartenário.
O quatro sempre foi estimado como o número do mundo físico. O quatro está relacionado aos quatro pontos cardeais. Ainda podemos buscar outras exemplificações, tais como: 4 elementos, 4 estações do ano, 4 fases da Lua, etc.



Ainda dentro do prisma de que o número 7 é constituído de 4+3, podemos encontrar algumas reflexões importantes no estudo do sétimo arcano, conhecido como o Triunfo. Dentro da escola gnóstica, apoiando aqui nossas reflexões em Samael Aun Weor, mais especificamente em sua obra “O caminho iniciático nos arcanos do tarôt e da cabala”, encontraremos a descrição da lâmina contendo:



 “nas águas da vida, duas esfinges, a Branca e a Negra, que puxam o seu carro, simbolizando as forças masculinas e femininas.  Um guerreiro que representa o Íntimo está de pé no seu carro de guerra, na pedra cúbica (o sexo) e entre os 4 pilares que constituem a Ciência, a Arte, a Filosofia e a Religião, nas quais se desenvolve. Os 4 pilares também representam os 4 elementos, indicando que aquele os domina. Na sua mão direita está a espada flamejante e na sua mão esquerda, o báculo do poder. A couraça é a ciência divina que nos torna poderosos. O guerreiro deve aprender a utilizar o Báculo e a Espada, desse modo conseguirá a grande vitória. Na sua cabeça, um gorro de 3 pontas, representa as 3 forças primárias. Na parte superior aparece RA, o Cristo Cósmico (as asas). ” ( Samael Aun Weor).



Nesta perspectiva, o número 7 representa a vida na terra, constituindo-se na primeira manifestação do homem para o entendimento do mundo divino. Nesse momento, cabe-nos destacar que a segmentação numérica, onde teremos como seu numeral posterior o número 8, que de forma geral está ligado às coisas infinitas e divinas. Assim, o número 7 é a fronteira da passagem do conhecido para o desconhecido. Assim, avançando nas nossas reflexões, vemos no número em questão a ligação do espiritual com o material.



É possível detectar essa analogia também dentro do cristianismo, na oração do Pai Nosso, podendo encontrar nela 7 postulados principais, sendo eles:



1) Santificado seja o vosso nome;



2) Venha a nós o vosso reino;



3) Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu;



4) O pão nosso de cada dia nos daí hoje;



5) Perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido;



6) Não nos deixeis cair em tentação;



7) Livrai-nos do mal.



Para além dos 7 postulados, podemos também inferir que o sete representado na oração advém da ideia de 4+3, pois temos três postulados dirigidos a Deus e quatro para o homem, representando o mundo material.





Nesse ponto, cabe-nos apontar a Escada de Jacob (Jacó), referenciada na bíblia em Gênesis 28,11-19, que emerge no presente contexto quando Jacob teve essa visão durante o sono, de uma escada, cujos pés repousavam sobre a terra, e cujo topo chegava aos céus. Anjos continuamente subiam e desciam através dela. O número de degraus mais aceito para a interpretação dessa passagem bíblica é de um total de 7. Dentro dos conceitos Rosacruz, numa perspectiva simbólica ampla, cada degrau da escada  estaria  ligado as montanhas dos setes episódios relacionado com o povo judeu,  sendo o sétimo a representação  de Jesus no Monte da Oliveiras. Assim, seria esse o momento de entrega total a espiritualidade.Aqui também destacamos que para a Maçonaria, a escada de Jacó simboliza a ligação do plano físico com o espiritual, corroborando com o pensamento expresso no parágrafo anterior, onde fora apontado que o 7 é  a fronteira da passagem do conhecido para o desconhecido. Ainda, conforme aponta João Anatalino, podemos acrescentar que no Hinduísmo já se creditava a existência da Escada de Brahma, na qual os iniciados nos mistérios daquela religião deviam subir. Ainda de acordo com João Anatalino, “os hindus acreditavam que o mundo era composto por sete estratos, cada um atingível por um escada, ou nível de sabedoria iniciática. O primeiro estrato era a terra, e a consciência humana, o mais ínfimo deles. O segundo era o mundo dos espíritos, ou da reencarnação. O terceiro era o céu. O quarto era um estado intermediário onde as almas ficavam, assim que desencarnassem. O quinto era o mundo da regeneração, onde as almas eram preparadas para reencarnar novamente. O sexto era o Palácio do Grande Rei, onde habitava Brahma, o Grande Princípio Criador dos céus e da terra. O sétimo era o mundo de Brahma, onde habitava Brahman, a Essência, o Incriado, a Verdade em Si Mesma, o En Shoph dos cabalistas, o próprio Deus em sua essência, o Pai da Luz”.



Na Umbanda, o número 7 está associado ao orixá Ogum, que tem como astro regente Marte e signo zodiacal áries e escorpião. Dentro da simbologia de algumas escolas ocultistas, encontraremos o planeta marte associado ao elemento fogo, onde por meio de analogias, e estudos mitológicos – os quais não aprofundaremos no presente ensaio- chegaremos a representação de Ogum. Interessante observarmos que Marte, na mitologia Grega, era o Deus da Guerra. Ainda cabe-nos salientar que o Ogum é o primeiro orixá a descer do Orun para o Aiye, mostrando aí também uma possível ligação dele com o número 7 e a ideia da ligação espiritual e material avocada por tal número. Por outra perspectiva, considerando a concepção de 4+3, encontraremos também o referido orixá na sua figura de guerreiro e dominador.

Ainda dentro da Umbanda, embora sejamos conhecedores das transformações sofridas pelo vocábulo que nomeia a religião, é importante notarmos que o mesmo tem sete letras, e que sua tradução é o conjunto das lei de Deus, que em suma mostra a ligação com a ideia inicial exposta no texto do 7 como resultado de 4+3, pois as leis de Deus regem o princípio espiritual e material.



            Segundo Alexandre Culmino, em seu livro Deus, Deuses, Divindades e Anjos”, “O filósofo grego Platão de egina (429 – 347 a.C.) no seu “Timeu”, ensinava que , “do número sete foi gerada a alma do mundo”. Santo Agostinho via nele o “símbolo da perfeição e da plenitude”. Santo Ambrósio dizia que era “o símbolo da virgindade”. Este simbolismo era assimilado pelos Pitagóricos, entre eles Nicômano (50 d.C.), em que o “sete era representado pele deusa Minerva (a virgem)” que era a mesma Atena de Filolau (370 a.C.). Por outro lado, na antiguidade associava-se o sete: a VOZ, ao SOM, a CLIO, musa da história, ao deus egípcio OSIRIS, às deusas gregas: NÊMESIS e ARASTIA e ao deus romano MARTE”.



No livro “ O simbolismo dos números na maçonaria”, Boanerges Castro expõe que todas as células de nosso corpo  a cada SETE anos, se renovam inteiramente de modo tal que somos, na realidade, um individuo inteiramente novo em cada SETE anos de vida.



Assim, encerramos o presente texto com a convicção de que há muito ainda para se conhecer sobre o número aqui estudado, lembrando que os segredos são guardados a sete chaves.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Para reflexão: " O Todo é Mente; o Universo é mental"


Para refletir:

"O TODO é Mente; o Universo é Mental",

“Se o Universo é Mental na sua natureza, a Transmutação Mental pode ser considerada como a arte de MUDAR AS CONDIÇÕES DO UNIVERSO, nas divisões de Matéria, Força e Mente. Assim compreendereis que a Transmutação Mental é realmente a Magia de que os antigos escritores muito trataram nas suas obras místicas, e de que dão muito poucas instruções práticas” (O CAIBALION)

domingo, 20 de setembro de 2015

INTRODUÇÃO AO USO MÁGICO DAS VELAS


Na atualidade, qualquer estudante das ciências ocultas encontrará muitas receitas e fundamentos solicitando a utilização das velas. No entanto, cabe-nos frisar que seu advento não é exclusividade da modernidade, pois gravuras rupestres já apontavam para utilização algo semelhante na era Antes de Cristo. A crença na realidade dos poderes mágicos está e esteve presente em diversas civilizações e, consequentemente, nas culturas.

Crowley definia magia como  a Ciência e a Arte de causar mudanças de acordo com a vontade, postulando que qualquer mudança pode ter efeito através da aplicação do tipo e grau de força apropriados,  a maneira apropriada, através do meio apropriado ao objeto apropriado. Assim, a grosso modo, podemos inferir que a Magia é a ciência dos magos, a qual causa efeitos físicos visíveis a partir operações e processos invisíveis e ocultos. No entanto, para a realização do ato mágico, o mago necessita do uso concentrado e determinado do pensamento, da emoção e da vontade, tudo misturado num conjunto harmônico necessitando assim ao operador da magia de elementos e sinais físicos para auxiliá-lo no procedimento. Dessa forma, os ritos e os elementos utilizados na operação mágica são condensações radicais fluídicas primordiais ligadas as linhas de forças que a tudo comandam, regulando a movimentação energética para o fim proposto.

Nesse ponto, cabe-nos visitar os postulados do Hermetismo exposto em “O Caibalion”, e assim buscamos em nossa reflexão dois principios fundamentais do Hermetismo, dentre os sete principais, que são: o principio do mentalismo e o da vibração. Quanto ao primeiro, encontraremos que  "O TODO é MENTE; o Universo é Mental. Assim, encontraremos neste princípio uma grande verdade que tudo é mente, que há uma realidade substancial que se oculta em todas as manifestações e aparências que conhecemos sob o nome de Universo Material, Fenômenos da Vida, Matéria, Energia, numa palavra, sob tudo o que tem aparência aos nossos sentidos materiais. Na sequência, temos o terceiro princípio que é o da vibração, onde encontraremos que nada está parado, tudo se move,tudo vibra. Diante desse principio, encontraremos um postulado que demonstra a verdade das coisas, afirmando que tudo está em movimento, tudo vibra e nada está parado. E nessa incursão pelo Hermetismo cabe-nos ainda mencionar o princípio da correspondência, "O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima", onde a verdade que existe uma correspondência entre as leis e os fenômenos dos diversos planos da Existência e da Vida. Tal axioma proporciona-nos ao ser humano os meios de explicar muitos paradoxos obscuros e segredos da Natureza, exprimindo a Lei Universal.

Após essa explanação sobre magia, chegamos enfim a utilização mágica das velas, onde inicialmente precisamos entender que ela é, antes e tudo, um elemento necessário a alguns tipos de movimentações energéticas e ritos mágicos, constituindo-se assim num aparato físico para o propósito mágico, sendo também um condensador fluídico. Na perspectiva do Hermetismo, inferimos, então, em sua utilização que ela tem um padrão vibratório, o qual o magista manipula com suas reais intenções, carregando e condensando o fluído invisível e a energia manifestando o outro principio hermético. Aqui, chegamos a conclusão que ao acendermos uma vela devemos declarar sua intenção ou propósito, direcionando e vibrando as energias sutis, movimentando as linhas de forças, pois ao contrário será apenas uma luz acesa, sem efeito nenhum.

Por outro viés de análise da utilização da velas, veremos que ela, por sua natureza, está ligado ao elemento ígneo, porém para além disso ela tem a representação dos 4 elementos assim como os  estados da matéria. Diante disso, evocamos uma das possíveis interpretações do pentagrama, demonstrando o domínio dos elementos. Assim, divagando nas ideias,  encontraremos que o pentagrama está associado ao número 5 (Yorimá), o qual está associado aos elementos dinâmicos, ou seja, aquilo tem movimento e força. Nesse sentido, o número 5 é um símbolo sintético, constituindo-se na síntese da movimentação mágica, edificando a concepção do homem dominando os elementos. Cabe-nos aqui ainda acrescentar que, de acordo com Eliphas Levi,o pentagrama representa exprime a dominação do espírito sobre os elementos, mostrando como o ser humano os ordena. Ainda, acrescentamos que algumas escolas iniciáticas, tem  no número cinco a representatividade do princípio do centro, não só geográfico, mas energético e espiritual. É ele que permite equilibrar e regular o jogo constante do yin e do yang em suas diferentes manifestações e assegurar a unidade do fluxo perpétuo das coisas. O cinco representa a adição dos dois, de essência feminina, ao três, de essência masculina. Simboliza, portanto, a totalidade do universo.

Por fim, quanto o número de velas utilizadas nos rituais, mestre Yapacani aponta que devemos utilizar em número par para coisas materiais e ímpar para fins espirituais. Ao nosso ver, suas considerações estão intimamente ligadas as concepções de numerologia dentro da cabala, as quais não explicitaremos aqui pois necessitaríamos estenderíamos o presente texto, no entanto dentro da escola pitagórica teremos que os números pares e ímpares se ligam pelas ideias de finito e infinito, constituindo um todo harmônico. Assim, para além da alquimia da vela na utilização da magia e também nos rituais com diversas finalidades ( adoração, celebração, súplica, etc) o sacerdote deve possuir sólidos conhecimentos da numerologia para compreender a necessidade de velas (luzes) a serem utilizadas visando vibrar o principio do objetivo ritualístico.


domingo, 23 de agosto de 2015

Mediunidade e Chakras: breve reflexão


Iniciamos nossas reflexões apontando que as assertivas e analogias aqui apresentadas não possuem a pretensão de serem verdades eternas e imutáveis, mas sim uma contribuição para o entendimento de algo maior e divino. Não nos esqueçamos, que enquanto umbandistas, somos universalistas, não no sentido de fazer uma grande mistura, mas no sentido de entender e compreender essa mistura, de forma consciente, visando vislumbrar a convergência das diferentes escolas e ensinamentos para a descoberta das verdades divinas.

Segundo Leadbeater, em seu livro “Os Chakras: os centros magnéticos vitais do ser humano”, “quando um homem começa a aguçar os sentidos, que então lhe permitem perceber algo mais do que os outros percebem, desdobra-se diante dele um mundo novo e fascinante. Os chakras são as primeiras coisas desse novo mundo que lhe chamam a atenção. As pessoas se lhe apresentam sob um novo aspecto, nelas descobrindo muita coisa que antes permanecia oculta à sua vista; e portanto, é capaz de compreender, apreciar e, nos casos necessários, auxiliar o próximo muito melhor do que lhe era possível antes”.

            Há mediunidade esteve presente ao longo do percurso da humanidade, ainda que sobre outras roupagens ou entendimentos. Segundo Edgard  Armond, em seu livro “ Mediunidade”, a  faculdade mediúnica, tanto a natural como a de prova, não é fenômeno de nossos dias, destes dias nos quais o Espiritismo encontrou seu clímax mas, sempre existiu, desde quando existe o homem.  Ainda de acordo com Armond,  foi muito por meio dela que os Espíritos diretores puderam interferir na evolução do mundo orientando-o, guiando-o, protegendo-o.

Encontraremos na literatura ocultista que na pura Raça Vermelha, os seres encarnados tinham os  7 sentidos naturais, de forma inerente aos seus corpos físicos. Isso quer dizer que  os sentidos de ordem astral eram intrínsecos ao psicossoma dos Seres Espirituais. Isso explica grandes indagações inquietantes de nossas mentes, do porque antigamente, em épocas remotas, ensinamentos ditos ocultos ou lei ocultas eram mais desveladas do que na atualidade. Entretanto, ainda em relação a essa época remota, esclarecemos que  entre o corpo físico e o corpo astral não havia nenhum delimitador vibratório ou dimensional, ou seja, os meios de comunicação com o plano astral eram naturais. Não eram necessárias pontes, ou seja, portas vibratórias que se abrem ou fecham. No entanto, com a evolução dos costumes e os períodos reencarnatórios, essa ligação direta foi-se deteriorando, sendo necessária a criação da tela atômica, a qual se constitui num limitador ou regulador da manifestação da vida astral no mundo físico denso. Assim, a mediunidade passa de um status natural para uma classificação de condição especial  ofertada  ao Ser Espiritual que encarna com o compromisso de ser o mediador entre as dimensões. Dessa forma, o corpo físico, o mental e o astral recebem um acréscimo em seus centros vitais, que os fazem vibrar e sentir as coisas diferentemente de outros Seres Espirituais não médiuns. Esse processo acontece pelo  comando central do corpo mental, que emite impulsos em formato de mensagens, veiculadas pelas Linhas de Força (condutores vibratórios) ao corpo astral e esse, por meio dos Núcleos Vibratórios principais, vibrava em consonância com os Núcleos Vibratórios de ordem etérica, que no corpo físico denso equivalem aos plexos nervosos (conjunto de nervos) ou glândulas endócrinas (que produzem ou armazenam hormônios, os quais são indispensáveis ao funcionamento de todo o organismo).

Nesse instante, começamos a descobrir então as ligações entre o corpo físico e o astral, onde nos cabe buscar uma possível definição para essas linhas de forças e os centros propulsores da energia. Assim, chegamos aos chakras, que por definição Hindu, seriam rodas de forças. Poderíamos também dizer que o chakra é a designação sânscrita abonada aos centros de força viventes nos corpos “espirituais”, sendo, além disso, titulados de lótus.

Segundo Michel Coquet explana em seu livro “ A anatomia vital do ser humano”, pode-se conceituar o chakra como o ponto onde os nadis se encontram como os raios no cubo de  uma roda de carruagem. Os centros são formados pelo encontro destas linhas de força (nadis), do mesmo modo que os plexos, no corpo físico, são formados pelo encontro de nervos. Existem centros maiores, aqueles que resultam do encontro de um número maior de nadis (vinte e uma vezes, segundo Coquet) e os centros menores em que a confluência dos nadis é menor. Entre estes últimos existem vinte e um formados pelo encontro de quatorze  nadis e outros bem menores constituídos pela intercepção de sete nadis.   São, os nadis, assim sendo, linhas de força que não devem ser confundidas com os nervos do corpo físico, embora estejam em relação a eles como os chakras com os plexos e órgãos do corpo físico. São condutores de energia.

Os chakras estão situados no duplo etérico e as forças que se difundem por meio dos chakras são essenciais à vida do duplo etérico. Por isso, todos os indivíduos possuem estes centros de força, embora o grau de seu desenvolvimento varie muito em cada indivíduo. Sem os chacras, o Espírito não poderia exercer o seu controle e sua atividade sobre o corpo físico, nem tomar conhecimento das sensações vividas pelo mesmo, pois eles transferem à região anatômica correspondente, cada decisão assumida pelo Espírito no seu mundo oculto. Nesse entrecho, de acordo com Leadbeater, cabe-nos destacar que nas conversações comuns e superficiais, o ser humano afeiçoa discorrer sobre sua alma como se o corpo, por mediação do qual ele fala, fosse o verdadeiro ser, e que a alma, uma propriedade ou feudo do corpo, algo semelhante a um globo cativo a flutuar sobre o corpo, a ele ligado de certo modo. Esta asseveração é inexata, ausente de embasamentos e errônea, pois a inversa é que é verdadeira. O indivíduo é uma alma que tem um corpo, ou em realidade vários corpos, outros corpos invisíveis à visão ordinária, com os quais se relaciona com os mundos emocional e mental.

Assim, no caminhar de nossas leituras, deparamos com as colocações de Nadya Prado, onde assertivamente postula: “ A mediunidade, como um sexto sentido, conecta-nos as dimensões sutis e essa interação entre o mundo físico e espiritual se faz através dos chacras. A autora ainda coloca que os chakras são pontos de conexão entre os diversos corpos do ser multidimensional. Eles captam, assimilam e emitem ondas de energia. Dessa forma, com as ligações multidimensionais do corpo efetivadas pelas linhas de força, as ondulações, emoções e energias são transmitidas do astral para o físico. Logo, podemos inferir que as emanações fluídicas dos planos sutis nos abiscoitam a percepção por meio desses centros energéticos, que se enlaçam aos feixes de nervos do corpo físico cognominados plexos e atuam sobre o sistema endócrino.

Assim, seguindo o raciocínio de Leadbeater, a abertura das portas para o mundo astral tem sua chave mestra no desenvolvimento dessa linhas e centros de forças. O autor coloca ainda que “conquanto a natureza tome esquisitas precauções para resguardar os chakras, não é seu propósito que permaneçam sempre rigidamente fechados. Há um processo normal de abri-los. Talvez fosse mais próprio dizer que a natureza não se propõe abrir os chakras mais do que o estão, senão que o homem deve aperfeiçoar-se de modo que lhes aumente até a plenitude a sua atividade. A consciência do homem comum não é ainda capaz de utilizar a matéria atômica do corpo físico nem a do astral, e portanto, em circunstâncias normais não pode estabelecer comunicação voluntária entre os dois planos. O único meio de consegui-lo é purificar ambos os veículos até que se lhes vitalize a matéria atômica, de modo que todas as comunicações entre um e outro sigam seu caminho obrigatório. Em tal caso, a tela etérica se mantém no maior grau de posição e atividade, e em conseqüência já não representa um obstáculo para a intercomunicação, e contudo impede o contato entre os subplanos inferiores, que daria passagem a todo o gênero de sinistras influências”

Podemos inferir, após algumas reflexões, que os chakras seriam os nossos sentidos astrais, assim como temos os físicos: tato, paladar, entre outros. Então, as rodas energéticas teriam essa função também, para além de outras que sustentam a existência do corpo físico e que não abordaremos no presente texto, pois extrapolaríamos os objetivos propostos. Nessa mesma linha pensamento, Leadbeater também se expressou dizendo que
“de certo modo e até certo ponto, os chakras astrais podem ser considerados como os sentidos do corpo astral. Mas convém definir este conceito para evitar erros, porque não se deve esquecer que, embora para melhor compreensão falemos da visão e audição astrais, estas expressões significam a faculdade de responder às vibrações transferíveis à consciência do ego, quando atua no corpo astral, da mesma forma pela qual transfere para sua consciência as percepções visuais e auditivas, recebidas pelos olhos e ouvidos do corpo físico. Mas na atuação astral não se necessita de órgãos especializados para conseguir tal resultado, pois em todo o corpo astral há matéria capaz de responder às vibrações procedentes do exterior”. Aqui ainda cumpre-nos elucidar que  a rigor não podemos ponderar os chakras astrais como órgãos sensórios, assim como temos  orelhas, olhos, pois não é por eles que o homem astral vê ou ouve, tal qual o homem físico, No entanto,  a percepção astral está sujeita ao despertar dos chakras astrais, porquanto cada um, ao despertar para a plena atividade, dá ao corpo astral a virtude de responder a uma nova ordem de vibrações.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Buscando compreender os fundamentos das essências sagradas

Os perfumes ou voláteis odoríficos são essências que harmonizam as vibrações do ser humano.
         Antes de iniciarmos nossas curtas reflexões, faz-se importante esclarecer o situar o leitor que o perfume é algo muito antigo, tão antigo quanto a própria humanidade, acompanhando-a em sua evolução.
         De acordo com Rivas Netos, em seu livro “ A Proto-síntese Cósmica”, nada no Universo está parado e quando não se está parado se está em movimento, tendo oscilação, frequência, ou seja, "ondas". Nesse sentido, o autor coloca ainda que toda onda se alastra, e alastrando-se entra em sintonia com outras ondas. Dessa forma, chegamos ao fundamento da utilização das essências sagradas, valendo-se do princípio de sintonia e afinidades vibratórias. Se todo o Universo, o qual avocamos pelo nome de Macrocosmo, vibra, o homem também vibra, e deve vibrar em harmonia com o Macrocosmo, isto é, o Microcosmo, o homem, deve vibrar em sintonia vibratória com o Macrocosmo.
         Nesse ponto, cabe-nos buscar os ensinamentos herméticos, em Caibalion de Hermes, onde temos os princípios do hermetismo. Entretanto, aqui nos interessa a lei da vibração:

“Nada está parado, tudo se move, tudo vibra.”

Todas as coisas se movem e vibram numa sintonia. Todo movimento é vibratório no universo e tudo se manifesta por esse princípio. Nada está em repouso. Tal postulado elucida que as altercações entre as diferentes manifestações de Energia, Matéria, Espírito e Mente procedem das ordens variáveis de Vibração. Ainda acrescentamos, que a vibração do Espírito é de uma intensidade e rapidez tão infinitas que praticamente ele está parado, como uma roda que se move muito rapidamente parece estar parada.

         Assim, sabendo que somos seres vibratórios, obviamentes iremos concluir que distintos fatores implicam nessa sintonia. Entretanto, no mundo físico, dos encarnados, o mundo onde necessitamos das formas, os perfumes, tais como as essências queimadas, harmonizam e estabilizam as vibrações do indivíduo encarnado, predispondo-o a sintonia cada vez mais elevada, especialmente pela renovação do corpo mental, que principia a originar novo conjunto de pensamentos, isto é, mais puros e elevados, fazendo com que o Ser Espiritual se harmonize com os planos elevados afins no campo astral.

Por fim, cabe-nos esclarecer que tais perfumes atingem, certamente, quando inspirados, o rinencéfalo,  provocando a transformação de tensões e emoções.

         Você sabia que as diferenças de paladares muitas vezes está ligada ao olfato? Diante disso, podemos inferir que o fundamento da utilização da essências sagradas encontram explicações religiosas, assim como cientificas, pois é por meio do rinencéfalo que nosso cérebro tem a sua ação olfativa de decodificação.

         Pense naquele cheirinho bom de comida da vovó e quantas lembranças boa isso pode causar, mudando nosso humor. Assim, se processa a utilização das essências. No entanto, sobre esse tema há muito a ser explorado esotericamente.

sábado, 15 de agosto de 2015

Buscando compreender os fundamentos do uso do fumo nos rituais

A questão do uso do fumo nos rituais umbandistas e até mesmo em outros segmentos religiosos, sem dúvida, é um assunto que suscita diversas controvérsias no âmbito das religiões sobretudo na Umbanda, Nessa, o fato dos guias e entidades, que se manifestam por meio de seus médiuns,  utilizarem-se do fumo, abre margem para que alguns críticos da religião a classifiquem como “ baixo espiritismo”, e até mesmo chegarem ao absurdo de dizer que são espíritos inferiores, entre outras asneiras.A verdade é que opiniões como essas estão recheadas de preconceitos e falta de conhecimento de fundamentos dos ritos.
Em linhas gerais, podemos dizer que a utilização da fumaça do fumo serve para fins de manipulação com certa classe de elementais, para descargas ou desagregações fluídicas de larvas. Quando as entidades fumam, elas  estão manipulando, descarregando, procedendo a certas desagregações fluídicas no ambiente do terreiro ou mesmo sobre o consulente.
            Aprofundando um pouco mais nossos conhecimentos, perceberemos que o fumo é um vegetal, portanto um elemento da natureza, e além disso traz em si os elementos terra e água, em sua composição, acrescente-se a isso que quando acesos agregam ainda os elementos ar e fogo.
            Cabe-nos ainda dizer que desde os primórdios da humanidade, o ser humano já comungava com o Grande Espírito por meio do Cachimbo Sagrado, em todas as tribos e aldeias de todos os continentes.
No site saindo da matrix, usando como fonte o jornal Umbanda hoje, encontramos uma passagem interessante que vale citarmos nesse texto:

“Durante o período físico em que o fumo germina, cresce e se desenvolve, arregimenta as mais variadas energias do solo e do meio ambiente, absorvendo calor, magnetismo, raios infravermelhos e ultravioletas do sol, polarização eletrizante da lua, éter físico, sais minerais, oxigênio, hidrogênio, luminosidade, aroma, fluidos etéreos, cor, vitaminas, nitrogênio, fósforo, potássio e o húmus da terra. Assim, o fumo condensa forte carga etérea e astral que, ao ser liberada pela queima, emana energias que atuam positivamente no mundo oculto, podendo desintegrar fluídos adversos à contextura perispiritual dos encarnados e desencarnados”.

De posse dessas informações, podemos afirmar, com toda certeza, que os nossos mentores espirituais ao fumarem e também o uso religioso da fumaça, e aqui mais especificamente em relação à utilização de charutos e cachimbos, contrariando a muitos profanos maldosos, servem para a manipulação energética, com finalidades bem definidas pelo astral.

Certamente, se rompermos os véus que nos limitam ver o que acontece no mundo astral nesses momentos, detectaríamos que na verdade os tais espíritos atrasados ou inferiores sofrem com essa fumaça, e que ela tem fins benéficos que vão para interpretações para além da nossa limitada compreensão.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Introdução ao sincretismo religioso

Inicialmente, faz-se imperioso definirmos o que é afinal sincretismo. Diante disso, buscamos nossa definição na Wikipédia, onde a mesma traz a seguinte informação:
“Sincretismo é a reunião de doutrinas diferentes, com a manutenção embora de traços perceptíveis das doutrinas originais. Possui, por vezes, um certo sentido pejorativo no sentido da artificialidade da reunião de doutrinas teoricamente incongruentes entre si.[1] Frequentemente, quando se fala em sincretismo, se pensa no sincretismo entre diferentes religiões, no chamado sincretismo religioso.”(WIKIPEDIA)
            Certamente, a questão do sincretismo tem provocado muita confusão entre alguns adeptos da religião e ainda mais nos profanos, que tentam buscar um significação nisso tudo.
            Assim, nesse contexto, precisamos entender que o  processo do sincretismo vem como facilitador da inclusão da cultura católica pela assimilação dos santos com as divindades do panteão africano e ameríndio. No entanto, nesse ponto, gostaríamos de frisar que embora haja algumas crpiticas ao sincretismo, podemos afirmar que se a verdadeira umbanda é um movimento de convergência, e se ainda considerarmos que todas as religiões possuem seus pontos de convergências, assim chegaríamos a conclusão que o sincretismo é parte essencial da convergência entre as religiões, embora o sincretismo com o catolicismo seja o mais popular, tambpem é possível buscarmos correlações com outros sistemas religiosos, que terão pontos em comum, confirmando o verdadeira conjunto das leis de Deus – Aumbhandhan.

            Basicamente, podemos ver abaixo os tipos mais comuns de associação:

Ogum - São Bartolomeu   
Ogum - Santo Antonio      
Ogum - São Jorge   R
Abaluaiê       - São Francisco      
Abaluaiê       - São Sebastião      
Omulu ou Omulum - São Lázaro
Omulu ou Omulum - São Bento 
Nana Buruquê        - Sant´Ana   
Oxum - Nossa Senhora das Candeias 
Oxum - Nossa Senhora da Conceição 
Iemanjá         -Virgem Maria        
Iemanjá         -Nossa Senhora da Conceição 
Iansã  - Santa Bárbara      
Oxalá - Nosso Senhor do Bonfim          
Oxalá - Jesus Cristo          
Oxossi-          São Sebastião       
Oxossi           - São Jorge  
Ibeji     - São Cosme e Damião     
Xangô            - São Jerônimo       


Nessa nossa incursão por tal temática, não podemos nos esquecer de que os escravos africanos por obrigação de seus patrões eram coagidos a cultuar a religião católica. Entretanto, nesse contexto, emergiam o uso das imagens católicas porém misturadas a elementos e fundamentos dos Orixás.

Por outro lado, encontraremos o sincretismo religioso em várias vertentes e o que definirá, muitas vezes sua correspondência serão as misturas utilizadas em tais rituais. Assim, encontraremos diferenças substanciais em Candomblé, Catimbó, Toré, Xambá, Babassuê, Toque de Mina, Canjerê, Quimbanda, etc.